27 de abril de 2017

FICA CONOSCO, SENHOR

Estimados irmãos e irmãs. Estamos no terceiro Domingo do Tempo da Páscoa. O Senhor continua caminhando conosco e se manifestando na Palavra, da Eucaristia, na comunidade reunida. Nossa gratidão porque Deus não cansa de nos acompanhar em nossa labuta diária sempre nos ensinando como sermos melhores filhos.

O Evangelho deste Domingo (Lucas 24,13-35) relata que dois discípulos, ainda no Domingo da Páscoa, depois de tudo o que tinha acontecido com Jesus, resolvem abandonar o grupo e tudo o que o Mestre ensinou. Iniciam o caminho de volta. Preferem voltar do que continuar. Sentem-se desanimados com tudo o que tinha acontecido com Jesus.

O Senhor, sempre discreto e atento, põe-se a caminhar com eles. Estavam eles tão preocupados consigo mesmo que nem sequer olharam no rosto do caminheiro e não perceberam a sua presença. No diálogo, expressam sua frustação com o tal Jesus que deveria, segundo eles, libertar Israel com exército, força, poder.

Jesus escuta e faz uma nova catequese com eles para que compreendam que tudo o que aconteceu já fora previsto e descrito nas Sagradas Escrituras desde sempre. Jesus não podia mudar o que estava estabelecido. Cabia a eles entenderem o projeto de Deus. Mesmo assim eles não entenderam e não o reconheceram. Jesus vai além. Repete o gesto da ceia celebrada a poucos dias. Neste gesto, os olhos deles se abrem e reconhecem o Mestre.

Irmãos e irmãs. Vamos trazer a riqueza destes detalhes para a nossa vida. Quantas e quantas vezes não percebemos a presença de Deus em nossa vida. Ele caminha conosco assim como caminhou com os discípulos. Porém, nossos olhos estão cegos, nossos ouvidos surdos e nosso coração endurecido que não o percebemos. Quantas vezes vamos a missa sem a convicção de que Ele está presente na Eucaristia? Quantas e quantas vezes pedimos sinais e milagres e nos esquecemos de olhar para a Cruz e compreender que ela é um grande sinal do amor de Deus por nós? Que a Eucaristia é um milagre que em cada missa se renova e através do qual Deus se faz presente em nosso meio abençoando e santificando o mundo? É uma questão de percepção. Precisamos nos dar conta que Deus continua caminhando conosco, mesmo quando não o percebemos presente.

Ele continua falando conosco através da Igreja, da Palavra proclamada e não o escutamos. Ele continua caminhando no dia a dia e não o percebemos. Ele se dá na Eucaristia e ainda, as vezes, nossos olhos continuam cerrados. Senhor! Aumenta a nossa fé!

Na vida podemos ter duas atitudes: lamentar tudo e reclamar das coisas ou erguer a cabeça e ter um olhar de fé sobre cada acontecimento. Não adianta ficar reclamando, lamentando. Precisamos colocar Deus na frente e Ele vai nos iluminar para vencermos os desafios cotidianos. Deixemos que Ele seja nosso guia, Mestre, Salvador.

A experiência com Ele deve nos tornar mais alegres, motivados, decididos, convictos da nossa fé. Os discípulos, no encontro com Ele, renovam as forças para ir ao encontro dos outros que estavam na comunidade para testemunhar o encontro com o Mestre. Precisamos também nós, testemunhar com alegria o encontro que temos com Ele na Palavra, na Eucaristia, na comunidade reunida.

A Páscoa continua sendo celebrada neste tempo e em cada Domingo do ano. É na santa missa que os filhos se encontram e renovam as forças que vem do Mestre. Forças que nos impulsionam e não deixam desanimar.

Neste dia 30 de abril, celebro com alegria seis anos de sacerdócio. Testemunho o quanto Deus, em sua infinita misericórdia fez por mim e através de mim. Sem a sua graça nada sou. Ele continua me sustentando, guiando, fortalecendo. O encontro diário com a sua Palavra e com a sagrada Eucaristia renovam minha consagração e me fazem amar ainda mais a vocação e a missão que Ele me confiou para manifestar o seu amor.

O lema que inspira a minha missão é “O bom Pastor dá a vida pelas ovelhas!” Quero ser como o Pastor supremo, fazendo da minha vida um contínuo ofertório.

Aproveito para agradecer a todos que me acompanham com sua oração. Este é o maior e melhor presente que posso receber. Através da oração Deus faz muito mais do que imaginamos. Continuem rezando pela minha santificação, pois esta é a meta. Peço perdão porque nem sempre fui coerente com esta grande vocação. A misericórdia de Deus me levanta todos os dias e me faz começar de novo.

A minha primeira missa, presidida no dia primeiro de maio de 2011, foi no mesmo dia em que João Paulo II estava sendo canonizado. Grande alegria e privilégio poder celebrar tudo isso com a intercessão deste santo Papa que manifestou a ternura de Deus a humanidade. São João Paulo II interceda por mim e por todos.

Continuemos rezando uns pelos outros. Continuemos nosso clamor pelo mundo. Senhor, tem piedade de nós!

Abençoado sejam todos os dias da nossa vida.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

19 de abril de 2017

Páscoa é Cristo e não Coelho!


Fico cada dia mais impressionado como as ideias do mundo capitalista e ateu estão entrando de cheio na mentalidade dos cristãos e estão conseguindo tirar os símbolos religiosos ou invertendo seus valores e nós vamos divulgando eles como se estivéssemos fazendo a coisa mais bonita e normal do mundo. Isso inclusive na mentalidade de sacerdotes e religiosos, não só dos outros fieis.

Estou me referindo aos símbolos da Páscoa e do Natal. Gente amada! Para nós cristãos Páscoa não é coelhinho e nem ovo de chocolate, mas Jesus Cristo crucificado e ressuscitado! Natal não é Papai Noel, mas o nascimento de Jesus. Não foi o coelhinho que morreu por nós na cruz, mas Cristo! Não foi o papai noel que transformou o mundo, mas o amor de Deus. Muitos enviam mensagens de felicitações com símbolos pagãos (como coelho, papai noel, ovo) e não são capazes que enviar com imagens cristãs (Cruz, Jesus Cristo). Feliz Páscoa ou feliz Natal é com Jesus e não com chocolate, mesas fartas, bebidas. Claro que com eles expressamos o gostar de alguém, mas não pode ser só isso uma celebração de tamanha grandeza e significado. 

Por que ao invés de dar um ovo de chocolate você não leva o teu irmão ou a tua irmã à santa missa? Por que não dá pra ele um livro, bíblia, terço, escapulário? Parece que dar presente com símbolos religiosos tornou-se 'brega' e enchemos as pessoas de coisas que o mercado consumista e ateu oferece. Conheço pessoas que ainda buscam viver e expressar sua fé de forma coerente. Mas, precisamos estar mais atentos com a distorçam da fé que estão nos colocando goela abaixo e engolimos sem reclamar.

Fica a dica!
Pe. Hermes José Novakoski

18 de abril de 2017

A PAZ ESTEJA CONVOSCO

Estimados irmãos e irmãs. Estamos no segundo Domingo da Páscoa. Grande a nossa alegria de podermos ter cantado nestes oito dias (oitava da Páscoa) o Aleluia com exaltação e solenidade. Por mais quarenta dias somos convidados a celebrar este grande acontecimento até fecharmos o Tempo Pascal (cinquenta dias) com a Solenidade de Pentecostes.

No Evangelho deste Domingo (João 20,19-31) Jesus aparece aos discípulos e a sua primeira saudação é desejando a paz: “A paz esteja convosco”! O Senhor deseja que a paz verdadeira que só Ele pode dar, esteja em nosso coração, nas nossas famílias, em nossa vida.

Hoje estas palavras de Jesus vem com um renovado significado. A paz está sendo ameaçada diariamente com a crescente violência. Nas famílias, nas cidades, no Brasil, no mundo os homens ainda não aprenderam que a paz é o único caminho para o progresso. As guerras continuarão destruindo vidas e tirando a tranquilidade das pessoas. Deus não quer a violência, mortes, guerras. Deus deseja a paz. Jesus anunciou a paz.

Jesus vem anunciando a paz e deseja que os seus discípulos também sejam missionários, instrumentos da paz. “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”! O envio é para anunciar o Reino construindo relações de paz. Em nenhum momento da sua vida terrena Jesus se utiliza de violência ou motiva a mesma. Sempre procura soluções que levem ao diálogo e a paz.

Precisamos deixar que a Palavra de Deus penetre em nosso coração e transforme a nossa vida na sua totalidade. Não podemos pensar que Jesus foi apenas uma ideia ou que seja uma filosofia de vida; tão pouco pensar que a sua mensagem não tem mais sentido. Um dos problemas atuais é pensar que podemos dar explicações racionais a todos os problemas existentes e que a força violenta é a solução. Não! Deus ainda tem muito a nos ensinar e a vivência do Evangelho continua sendo necessária e sempre atual para uma sociedade sonhada por Deus.

Os discípulos aprenderam com o Mestre a dominarem seus impulsos agressivos e pensamentos mundanos. Hoje também precisamos aprender com Ele a sermos mais humildes, simples e santos. Só a graça do Senhor pode nos transformar verdadeiramente.

Muitos querem e pregam que Jesus venha solucionar nossos problemas de forma mágica. Não é assim. Ele nos ensinou a viver em comunidade e a buscarmos no diálogo o caminho da não violência. Deus ajuda, mas Ele não vai acabar de forma extraordinária com os problemas que o homem na sua ignorância cria até porque nunca acabaria. Infelizmente as forças do mal predominam em muitos corações e muitas mentes dos filhos de Deus.

Neste Domingo da Misericórdia temos nela o caminho seguro para a paz. Enquanto não houver perdão, não haverá paz. O ódio e a inveja continuam destruindo corações, relações, famílias. Infelizmente as forças do mal tomam conta de muitos cristãos. Jesus, Misericórdia!

Porém, amados irmãos e irmãs, continuamos nossa missão como discípulos da paz. Não vamos deixar que as trevas vençam, afinal, a luz sempre vence as trevas. Vamos fazer brilhar a luz de Cristo em nossas vidas vivendo os valores do Evangelho, assim como viviam os primeiros cristãos. Vamos pregar com a nossa vida o amor, o perdão, a caridade, a justiça. Assim estaremos contribuindo para que o Reino aconteça.

Renovemos a nossa fé, como Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” Busquemos forças na Palavra, na Eucaristia e na comunidade. Assim teremos mais resistências e coragem para testemunharmos o amor.

Com a ressurreição, grande gesto de misericórdia do Pai, em Jesus Cristo nascemos “de novo para uma esperança viva, para uma herança incorruptível!” (1Pd 1,3-4). Esta esperança que vem de Deus nos renova a cada dia e nos enche de forças para continuar caminhando e anunciando a vitória do amor. Ninguém pode tirar de nós esta esperança.

Abençoado Domingo da Misericórdia. Louvemos a Deus por nos abraçar com este dom.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

17 de abril de 2017

CALÁBRIA: HOMEM DE DEUS QUE VIVEU PARA DEUS

Dia 18 de Abril de 1999, Praça da Basílica de São Pedro, Roma. Com estas palavras o Papa João Paulo II concluía a homilia da santa missa da canonização de São João Calábria: “Toda a existência de João Calábria foi Evangelho Vivo, transbordante de caridade: caridade para com Deus e caridade para com os irmãos, sobretudo os mais pobres. A fonte de seu amor para com o próximo era a confiança ilimitada e o abandono filial que sentia em relação ao Pai celeste.”

Há dezoito anos o fundador da Congregação Pobres Servos da Divina Providência e Pobres Servas da Divina Providência era oficialmente declarado santo pela Igreja Católica. Durante toda a sua vida ele buscou viver a santidade, sendo Evangelho vivo. “Ou santo, ou morto!” repetia diariamente. Preferia morrer que ofender, machucar o coração de Deus.

Deixou aos religiosos, religiosas, leigos, irmãos externos, enfim a todos os que dele se aproximavam, um legado importante sobre a confiança em Deus Pai Providente transformando essa crença em obras de caridade, amor ao próximo.

Ele fez e deixou para que a família calabriana a missão de reavivar no mundo a fé em Deus Pai Providente. Fez com que as pessoas que o conheceram tivessem mais fé e amor em Deus. Queria que todos quantos estavam a sua volta fossem praticantes e não meros ouvintes do santo Evangelho, assim como ele se esforçava em vive-lo.

São João Calábria foi um sacerdote simples, humilde. Provou do sofrimento desde a infância, mas nem por isso se revoltou contra Deus. Na miséria humana, fez uma experiência de Deus rica e profunda. Esta experiência determinará toda a sua vida e missão. Seu sacerdócio será fecundo porque ele estava sempre intimamente unido a Jesus Cristo. Não era ele que deveria aparecer, mas Deus. Não gostava de elogios e nem queria aparecer muito publicamente. Viveu até o fim no escondimento e na confiança filial em Deus Pai misericordioso.

Aprendemos deste santo sacerdote valores deixamos por Jesus no santo Evangelho: simplicidade, oração, confiança em Deus, caridade, autenticidade. Ele desejava ardentemente que seus religiosos vivessem a santidade para ser no mundo uma luz que manifesta Jesus Cristo.

Hoje celebramos dezoito anos de uma santidade que se manifestou muito antes disso. Viveu para Deus sem medo, com total empenho na missão sacerdotal, amando a Jesus Cristo nos mais pobres e necessitados levando sempre uma palavra de esperança e ânimo para todos.

Interceda por nós, São João Calábria! Dá-nos tua coragem, teu espírito, tua ousadia, tua simplicidade, tua fé para sermos autênticos servos de Deus.

Agradeçamos a Deus por nos ter dado este santo sacerdote como exemplo de discípulo.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

15 de abril de 2017

ELE ANDOU FAZENDO O BEM! FELIZ PÁSCOA!

Estimados irmãos e irmãs. Feliz Páscoa! Chegamos a centralidade do ano litúrgico; a maior de todas as festas cristãs: Páscoa! Jesus vence a morte e nos dá vida para sempre. Feliz dos que nele creem, esperam, confiam, porque hão de alcançar o que Ele prometeu: a vida eterna.

A primeira Leitura dos Atos dos Apóstolos (10,34a.37-43) traz o discurso de Pedro que ao se referir a Jesus afirma que “Ele andou por toda a parte, fazendo o bem”. De fato, fez bem todas as coisas ensinando a todos nós que estamos neste mundo para fazer o bem. Quando não fazemos o bem, não estamos cumprindo com a nossa missão neste mundo. Onde estiver, independentemente do que estejas fazendo, faça-o sempre bem.

A segunda Leitura de São Paulo aos Colossenses (3,1-4) complementa o discurso de Pedro. Paulo lembra a comunidade que fez a experiência do ressuscitado, precisa se esforçar em fazer e “alcançar as coisas do alto, onde está Cristo”. Buscar as coisas do alto, é buscar as coisas de Deus e como Deus é amor e quer vida para todos, somos convocados a promovermos a vida em abundância e a amar todos os irmãos como Cristo nos amou.

O Evangelho (Jo 20,1-9) narra a experiência do túmulo vazio. Primeiro as mulheres vão ao encontro de Jesus, pensando que Ele ainda estivesse no túmulo. Quando veem que está aberto, correm chamar os apóstolos. Elas foram mais corajosas do que eles. Mas depois desta notícias, também eles vão verificar o que houve. O túmulo está vazio. As Escrituras começam a fazer sentido, pois Ele devia ressuscitar dos mortos.

Hoje podemos cantar com alegria o Aleluia! Podemos cantar com o salmista (Sl 117): “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos”! Sim! Alegremo-nos e nele exultemos, pois Ele ressuscitou! Ele está vivo! Passou pela morte e nos deu vida! Ele é o nosso Deus, cheio de amor. Deus que nos salva em seu Filho único porque nos quer para sempre perto de si.

Somos convidados a fazermos a experiência do ressuscitado e assim, como os apóstolos e as mulheres que conviviam com Ele, anunciar esta grande notícia, esta boa nova vivendo com mais amor e esperança a nossa vida. O encontro com Ele deve nos fazer pessoas melhores, mas comprometidas com o bem, com a vida, com a fraternidade.

Feliz Páscoa! Deus nos abençoe!
Pe. Hermes José Novakoski


13 de abril de 2017

A VITÓRIA DO AMOR


Estimados irmãos e irmãs. Mergulhamos com a quinta-feira santa no Tríduo Pascal. Temos nestes três dias em que se seguem, acontecimentos que marcaram para sempre a história da humanidade. Jesus, Filho de Deus, feito homem, Palavra encarnada, veio nos ensinar a amar a todos e deu a sua vida pela nossa Salvação.

Jesus passou pelo mundo fazendo o bem, nos lembra São Lucas. Ele fez bem todas as coisas. A missão que o Pai lhe confiou, Ele a cumpriu até o fim. Não fracassou. Venceu os desejos humanos. Foi mais forte do que as tentações, porque Deus sempre vence!

Vamos refletir rapidamente sobre o Tríduo Pascal. Na quinta-feira santa temos a Instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Jesus quis permanecer junto com o seu povo para sempre e encontrou no pão o meio para isso. Na ceia celebrada com os apóstolos, Jesus institui este Sacramento e confia a Igreja o cuidado para que ele continue acontecendo com o objetivo de santificar o mundo e salvar as almas. Atrelado intimamente a Eucaristia, está o sacerdócio, pois sem o sacerdote validamente ordenado, não pode ter Eucaristia, pois não depende só da vontade da pessoa, mas ele precisa estar em comunhão com a Igreja de Jesus e realizar o que Ele instituiu. Rezemos pela santificação dos sacerdotes e de todos os que recebem o grau da Ordem e pela santificação de todos os que recebem a Eucaristia.

Na sexta-feira santa celebramos a entrega de Jesus na cruz. Um mistério que nem sempre conseguimos compreender. Um Deus morrendo pelos seus. Até então na história da humanidade, muitos povos tinham deuses que exigiam sacrifícios. Agora a história é marcada por algo totalmente novo e diferente. Um Deus morre pelos seus a fim de os salvar. Muitos na época não entenderam; outros não quiseram entender. Muitos ainda hoje não compreendem e não aceitam. Foi este o caminho que Deus encontrou para salvar os seus filhos, imersos no mundo do pecado e vivendo a seu bel prazer. Somente o Filho poderia fazer o sacrifício que valesse a salvação. E Ele o fez! Por isso cabe a nós o acolhermos e o amarmos sempre mais, porque Ele nos amou por primeiro e deu sua vida por nós.

A sexta-feira santa deve ser um dia de silêncio, oração, intimidade com este grande mistério de amor. Só no silêncio podemos nos encontrar com o nosso Deus maravilhoso.

Já no sábado santo celebramos a vigília maior, onde fazemos a memória de toda a história da Salvação. Pela Liturgia da Palavra, lembramos das maravilhas que Deus operou desde a criação do mundo até Jesus Cristo. Nele toda a revelação tem o seu ápice, pois Ele é o próprio Deus. Neste dia também acendemos e abençoamos o fogo e o Círio pascal. Cristo é a luz que nos ilumina; luz verdadeira que nunca se apaga. Ainda temos a bênção da água que será usada no batismo ou para bênção. Junto com ela fazemos a renovação no nosso Batismo. Somos convidados a renovar o dia em que fomos lavados dos nossos pecados e nos tornamos definitivamente filhos amados de Deus. Renovar nosso compromisso de vivermos como filhos, seguindo fielmente os mandamentos. E por fim temos a Liturgia Eucarística.

Nesta noite fazemos já a anúncio solene da Páscoa. Fazemos memória da Páscoa judaica agora revestida do novo significado pela ressurreição de Cristo. Jesus, sendo Deus, passa da morte para a vida. Só Deus pode fazer isso. Ele vence a morte e nele somos vitoriosos.

Fica o convite para que todos nós participemos com fé destes momentos em que faremos memória da nossa salvação. Vivamos com profunda intensidade e amor acompanhando Jesus passo a passo.

Quem com Jesus aceita ser crucificado, com Ele ressuscitará.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência!

7 de abril de 2017

JESUS OU BARRABÁS?

Estimados irmãos e irmãs em Cristo. Agradeço por estar acompanhando este espaço onde queremos crescer juntos em nossa fé. Bonito é quando partilhamos as experiências e vamos nos animando em nossa caminhada rumo a terra prometida. Deus seja louvado e servido para sempre!

Chegamos a Semana Santa. A maior de todas as semanas do ano por celebrarmos o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um ato nunca visto na história da humanidade e que ninguém poderá repetir. Ele o fez uma vez para sempre e assim a Salvação chega a todos em todos os tempos.

O que Jesus fez uma única vez e que sempre colheremos os benefícios e as bênçãos deste seu gesto, fazemos memória em cada santa missa, onde o próprio Cristo se imola e se faz alimento para os seus filhos. A santa missa é o sacrifício da Cruz redentora de Cristo, porém, não mais cruento, mas incruento. Ou seja, Ele não morre mais, mas continua espalhando suas graças por toda a humanidade através da missa. Participe com fé e colherás muitas graças e bênçãos.

A Semana Santa, para nós cristãos católicos, deve ser um grande retiro. Um momento de estar aos pés da Cruz e participar também da ressurreição. Infelizmente o mundo colocou o feriado e o comércio os doces a fim de tirarem o foco da Igreja, de Jesus Cristo. A todo custo se quer colocar a Páscoa como a festa do coelhinho de chocolate, mas não é. Tirando Cristo não existe Páscoa. O coelhinho não morreu e não salvou ninguém. Cristo sim! Ele merece ser lembrado, venerado, celebrado por todo o sempre.

Quantos cristãos católicos tem a Sexta-feira Santa como feriado. Não é! É dia santo! Dia reservado para o culto, a devoção, o silêncio. Falaremos mais sobre ela na reflexão própria para este grande dia.

Abrimos, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa. Santa porque Deus a santifica. Santa porque Ele morre para nossa Salvação. Este é um dia de oração e de saudação ao Senhor por tudo o que Ele fez por nós.

No primeiro Evangelho (Mateus 21,1-11) que é narrado antes da pequena procissão (do exterior ao interior da Igreja recordando a entrada de Jesus em Jerusalém) vemos o povo saudando e acolhendo Jesus. Ele, por ser Rei, não vem sentado em tronos e nem cercado de soldados e escravos. Mas vem, como ovelha inocente, no meio do povo como sempre o fez. Ele vem também em nome de todos.

No segundo Evangelho, onde temos a narração da Paixão segundo Mateus (26,14-27,66) vemos Jesus sendo traído por um dos seus discípulos; outros que não conseguem vigiar com Ele e dormem no Getsêmani; Pedro que o nega por três vezes; o povo que pede a morte de Jesus e a libertação de Barrabás; o testemunho e silêncio de Jesus quando os acusadores não poderiam mais entender os projetos do Pai; Jesus sendo zombado pelos soldados, sumo sacerdotes e muitos do povo. Enfim, uma narração muito carregada de elementos fortes.

Gostaria de convidar você a se deixar guiar pelo Espírito Santo para que possas rezar aquilo que mais necessitas neste momento a partir da Palavra de Deus. Além disso, quero chamar a atenção para a escolha errada que os Sumo Sacerdotes induziram o povo a fazer pedindo a condenação de Jesus e a libertação de Barrabás.

Amados irmãos e irmãs. Ainda hoje muitos fazem escolhas erradas. Assim como Jesus, muitos inocentes são condenados, mortos e muitos culpados são inocentados e aplaudidos. Muitos que roubam o dinheiro dos impostos para benefício próprio continuam ocupando cargos importantes decidindo pela morte do povo e dos inocentes. Quantos Barrabás existem na política, na Igreja, na sociedade? Muitos! Eles continuam fazendo coisas erradas e continuam sendo ovacionados por multidões. Muitos usando inclusive o nome de Jesus para enganar as pessoas.

Jesus continua sendo condenado, crucificado nas vítimas das injustiças sociais; naqueles que não tem acesso a saúde, educação, moradia, segurança, alimento, água tratada, etc. Muito sangue continua sendo derramado porque os Barrabás do tempo de hoje estão dominando o mundo.

Onde está Deus? Ele não dorme como muitos pensam e ensinam. Ele continua caminhando junto conosco e sua justiça não falhará. Aqueles que aqui fazem os pequenos e inocentes sofrer, terão que responder diante de Deus. Aí nenhum advogado os poderá defender, porque a própria consciência os acusará.

Vamos continuar a nossa caminhada carregando a cruz atrás de Cristo. Com Ele a cruz não é mais sinal de desgraça, mas de Salvação. Por isso, caminhemos confiantes pois Ele não nos abandonará. Aqueles que nos acusam porque somos de Deus, ainda hão de reconhecer como o oficial que estava junto à Cruz de Cristo: “Ele era mesmo Filho de Deus!”.

Vamos com os ramos saudar nosso Senhor. Vamos com amor acolhê-lo em nosso coração e pedir que Ele arranque tudo aquilo que nos impede de vivermos melhor como seus filhos. Precisamos conhece-lo sempre mais para não sermos enganados por aqueles que anunciam um Jesus de acordo com o que desejam e não o Jesus que morre por nós.

Abençoado Domingo. Vamos viver uma Semana santa!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.