30 de setembro de 2016

SENHOR, AUMENTA A NOSSA FÉ

Estimados irmãos e irmãs. Iniciamos o mês de outubro, mês em que a Igreja intensifica a oração pelas missões e convida a oração do santo Rosário. Muitos ainda não conhecem a verdade do Evangelho; outros a deixaram de lado. Por isso o desafio constante de rezarmos e incentivarmos os missionários e cada um de nós também fazermos a nossa parte para que a Salvação chegue a todos.

Todos os batizados precisam estar atentos aos apelos que a Igreja nos faz e não esquecer que estamos “em estado permanente de missão”, como nos pede a 1ª Urgência da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. O anúncio e o testemunho não podem ficar esquecidos. Os filhos e filhas de Deus são chamados a viverem sua fé na prática diária.

Neste 27º Domingo do Tempo Comum a Liturgia da Palavra tem um apelo importante a nos fazer através das palavras dos Apóstolos (Evangelho Lucas 17,5-10): Senhor, “aumenta a nossa fé!” Este apelo é sempre atual. Precisamos cuidar muito para que a nossa fé não desfaleça, cultivando-a de forma correta.

Precisamos compreender que a fé é adesão a uma pessoa: Jesus Cristo e não a doutrinas. Esta adesão ao projeto do Filho de Deus deve nos levar a uma contínua a profunda comunhão e identificação com Ele. Seus projetos, sonhos, ideias, valores devem ser de todos os que n’Ele creem. Enquanto não houver esta adesão a nossa fé não amadurece.

Outro aspecto importante na compreensão da fé é a entrega alegre ao mistério e projeto de Deus. Uma atitude pessoal da nossa liberdade. É dom de Deus, mas cabe a nós aceitarmos e fazermos ela crescer ou deixar ela morrer.

Como adesão a pessoa de Jesus Cristo e ao seu projeto, a fé não nos dispensa da dura luta diária. Não é uma fuga do mundo, mas assumir as coisas com determinação e coragem. Não quer dizer também que aos que creem as coisas serão mais fáceis e brandas. Mas a fé dá sentido a tudo o que precisamos enfrentar nesta vida. Ela foge dos limites da compreensão humana. É um convite a irmos além. Vemos isso claramente na primeira leitura (Habacuc 1,2-3; 2,2-4) onde o profeta clama ao Senhor diante dos sofrimentos que estava vendo e passando. Deus responde que a justiça não falhará. Ele cumprirá a sua Palavra no tempo certo. Também São Paulo exorta a Timóteo (1,6-8.13-14) a continuar firma; a não se envergonhar de Jesus Cristo, de ser cristão.

Jesus, sendo Filho de Deus, em toda a sua trajetória missionário sofreu muitas perseguições, ameaças. Diante disso Ele não recuou e nem desistiu. Continuava firme a sua caminhada pois tinha claro o objetivo da sua missão. Os apóstolos que o acompanhavam não conseguiam entender como alguém, mesmo sofrendo ameaças, pode continuar servindo feliz. É por isso que eles fazem o apelo que já citamos: AUMENTA A NOSSA FÉ.

A fé nos faz ir mais longe; superar as limitações e dificuldades com mais serenidade. Os que creem não estão isentos de sofrimentos, perseguições, injustiças. Fizeram isso com o líder, farão também com os seus seguidores, nos alertou Jesus. Diante das dúvidas que possam surgir em nossa vida, peçamos, assim como os apóstolos, que o Senhor aumente a nossa fé. Não queiramos ser covardes e fugir. Pensar que não conseguiremos vencer. Sozinhos não podemos, mas com Ele a vitória é certa.

Importante esclarecer também as contradições e os erros que se propagam hoje sobre a fé. Muitos ensinam e levam outros a acreditarem que os que tem fé não podem sofrer. Acreditar em Jesus é ficar livre dos sofrimentos. Com este pensamento queremos colocar Deus ‘contra a parede’ e determinar o que Ele deve fazer. Jesus sofreu para nos ensinar que crer não nos exime dos sofrimentos.

A fé é dom de Deus, é graça. Por isso não podemos reclamar de nada. É Ele que tudo conduz. De nossa parte, cabe agradecer por tudo o que recebemos. É Deus que nos chama a fazer parte do Reino que é seu e não nosso. Estamos voltando ao pecado original, quando queremos ocupar o lugar de Deus ou determinar o que Ele deve fazer.

Quando cumprimos com nossas obrigações, e o Evangelho deixa isso bem claro, estamos fazendo apenas o que deveríamos fazer. Isso não nos coloca em vantagem diante de Deus, pois Ele tudo fez e tudo ordena para a nossa santificação. É dever nosso cumprir bem com a missão que recebemos. Somos servos pobres, simples, ou inúteis, como o próprio texto nos diz. O que fazemos não é mais que nossa obrigação.

Aqui compreendemos a importância da oração e o que é rezar. A oração nos deve levar a compreender e aceitar o que Deus quer de nós e não a querermos determinar o que Deus deve fazer a nosso favor. Não podemos manipular Deus. Isso tem acontecido muito nos dias de hoje. Gritamos em Ele, como se fosse surdo ou estivesse dormindo. Damos ordens do que Ele deve fazer e quando deve fazê-lo como se Ele fosse o nosso súdito ou um Deus que é manipulável e está apenas a nosso dispor para servir-nos.

Não nos esqueçamos que nós somos os seus SERVOS e que ELE é o nosso CRIADOR. Cabe a nós, pedirmos humildemente, que Ele nos mostre os seus caminhos para não nos desviarmos da estrada certa.

Vamos ao encontro d’Ele presente na Eucaristia para que aumente a nossa fé.

Abençoado Domingo. Lembre-se de votar com responsabilidade e em candidatos comprometidos com o bem comum e não apenas preocupados com os seus próprios interesses.

Abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

22 de setembro de 2016

ESCUTEMOS A PALAVRA QUE NOS LIBERTA E SALVA

Chegamos ao último Domingo do mês de setembro, instituído pela CNBB em 1971 como dia da Bíblia por ser o domingo mais próximo a celebração de São Jerônimo, sacerdote que traduziu a Bíblia para o Latim. O santo dizia que “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”.

Viemos ao longo deste mês refletindo um pouco mais sobre a importância da Palavra em nossa vida e na vida da comunidade cristã. Ela é a luz que nos guia pelos caminhos corretos que o Senhor nos chama. Ela é o alimento e sustentáculo para a nossa vida de cristãos, pois nos fortalece, anima, consola, ensina.

Encontramos na Palavra de Deus muitos exemplos de homens e mulheres que buscaram colocar em prática esta Palavra e por isso chegaram a santidade. No Antigo Testamento vemos muitos Profetas que se tornaram os porta vozes da mensagem divina. Eles também foram aprendendo com o que ensinavam. No Novo Testamento encontramos a história da encarnação de Jesus, a vida de Maria, dos Apóstolos e Discípulos que buscaram aprender com o Mestre, verbo feito carne no meio de nós. Eles fizeram seu caminho de santificação. Também nós somos chamados a fazer este caminho com confiança.

Acompanhemos as palavras de São Paulo a Timóteo (1Tm 6,11-16) e que nos servem de motivação. Ele traz a lembrança de que os batizados precisam se esforçar todos os dias para viverem o que aprenderam na Palavra de Deus. Claro que Timóteo tinha aprendido escutando Paulo e outros Apóstolos. Esta belíssima e fundamentada motivação serve também para nós que conhecemos a Palavra de Deus e diariamente somos convidados a rezar. Acompanhemos toda a leitura para melhor compreender o que Paulo quer transmitir:

“Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas. Diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno: guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até à manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. Esta manifestação será feita no tempo oportuno pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém”.

A dinâmica de Deus sempre respeita a liberdade que Ele mesmo nos deu desde a criação. Muitas vezes, porém, escolhemos as coisas erradas. Andamos por caminhos tortuosos. Basta ver o que o Profeta Amós (6,1a.4-7), mais uma vez vem denunciando e que Jesus complementa no Evangelho (Lucas 16,19-31). Infeliz daquele que vive a sua vida e a sua fé de qualquer jeito; que coloca toda a felicidade e realização nas coisas materiais; que não consegue partilhar o que tem com os seus irmãos. As riquezas poderão se tornar, desta forma, motivo de condenação eterna.

Jesus, falando com um fariseu, quer mostrar o que acontece com aquele que vive somente para si. O homem rico, que não recebe nome, podendo ser cada um de nós, preocupou-se apenas em aproveitar e gozar a vida usando dos seus bens para benefício próprio. Quando alguém acumula muito, falta para os outros. Aqui estamos diante de dois pecados: acúmulo desnecessário e a ganância. Ele vivia fazendo festas e não partilhava com o pobre, neste caso Lázaro, que estava, frisa a Palavra, no “chão à porta do rico”. O rico sabia da existência dele, pois este estava à porta, e mesmo assim não queria ajudar.

Quando ambos morrem, inverte-se a situação. A justiça é feita. Lázaro vai para junto de Deus para ser consolado e o rico para os tormentos. Isso pode acontecer em todos os tempos da história quando alguém coloca as coisas em primeiro lugar e não partilha com quem nada tem. Os bens podem ser meio de salvação ou de condenação. Aqui o problema em si não é ter coisas, mas usar elas apenas para benefício próprio, sabendo que muitos batem a nossa porta pedindo migalhas.

Acontece um diálogo entre Abração e o homem rico que sofre tormentos. Inverte-se a lógica. Agora ele é o pedinte. Aquele que precisa ser consolado. Acompanhemos este diálogo que é muito forte:

“Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'”.

Diante do que estava sofrendo, o rico pede pelos seus para que também não venham a perecer. Abraão responde que eles tem os profetas e o próprio Cristo que ressuscitará dos mortos para escutar e obedecer. Mas quando o coração está preso as coisas, nem estes conseguirão transformar estes corações. Acompanhemos o restante da narrativa:

“O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!' O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. Mas Abraão lhe disse: `Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'.”

Queridos e amados irmãos. São palavras fortes e duras. Deus é misericordioso e justo. Como dizíamos acima, Ele nos fez livres para escolhermos por quais caminhos vamos indo. A escolha é nossa! Receberemos a recompensa de acordo com as nossas obras.

Para nós fica a exortação de São Paulo para vivermos bem a nossa fé e assim sermos acolhidos por Deus na pátria celeste. Lá Ele nos espera de braços abertos. Vamos caminhando e nos animando uns aos outros na perseverança do bem. A gente se encontra no abraço misericordioso do Pai. Que a Palavra de Deus nos mostre o caminho.

Abençoado Domingo e abençoada semana.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

15 de setembro de 2016

VÓS NÃO PODEIS SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO

Queridos irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Neste mês da Bíblia, deixemos que a Palavra de Deus toque ainda mais no profundo do nosso coração e nos torne sempre mais dóceis. Que o Espírito Santo derrube todas as barreiras e resistências que existem em nós e impedem de sermos ainda mais felizes e servirmos com maior generosidade esse Deus maravilhoso que sempre nos ama.

As exortações que as Leituras deste 25º Domingo do Tempo Comum nos trazem são pertinentes e podemos alcançar estas virtudes se vivermos a Palavra de Deus em nosso dia a dia. Quando ela consegue ser o parâmetro pelo qual olhamos as coisas e decidimos pelas nossas ações, ela está se tornando vida em nossa vida e assim é uma Palavra que transforma. A Palavra é sempre viva e eficaz, porém depende da nossa disponibilidade de deixa-la nos modelar e transformar.

A primeira Leitura (Amós 8,4-7) o Profeta Amós denuncia o erro, a injustiça que as autoridades cometiam com as pessoas simples e humildes. A adulteração nas medidas, pesos são formas de prejudicar os trabalhadores que dependem do que produzem para viver. Vemos como estes pecados continuam presentes ainda hoje. Em muitos lugares é colocado o crucifixo de Cristo e sob ele são cometidos injustiças e crimes. Quantos inocentes são condenados a fome, prisão, exclusão porque alguns poucos mudam as regras e as leis para benefício próprio. Um cristão jamais deveria fazer isso. Ele deveria usar sempre da verdade em todas as relações, inclusive nos negócios.

Oportuno o que São Paulo recomenda em sua carta a Timóteo (2,1-8). A preocupação do cristão e as nossas orações devem ser por todos, inclusive pelos poderes públicos. A Igreja recomenda que em todas as missas, uma prece seja feita nesta intenção. As vezes passa despercebida esta necessidade. Precisamos rezar pelos que governam nosso país, nossos estados e nossos municípios. Quantos usam o nome de Deus para cometer injustiças, roubar e matar.

Seguindo, o Apóstolo fala dos frutos desta oração de súplica. Acompanhemos este trecho: “Recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens; pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda piedade e dignidade”. Tudo isso, diz ele, porque Deus quer que todos “sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade”. É através da Palavra e da Eucaristia que podemos conhecer a verdade e sermos salvos. Porém, sabemos que isso não acontece de forma automática. Torna-se necessária a leitura, oração e observância de tudo o que aprendemos por meio da Palavra de Deus.

O Evangelho fecha, concluiu estes apelos ao dizer que nós não podemos ter o coração dividido. Não podemos servir ao mundo e a Deus ao mesmo tempo. Um coração dividido não serve para Deus. “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.

Jesus é bem claro na proposta que faz a todos os seus discípulos. Ele não quer batizados indo a missa, rezando a Palavra e cometendo injustiças na relação com as pessoas ou sendo uma pessoa sem amor e misericórdia. Deus não tolera a hipocrisia. A pessoa que tenta fazer isso, não consegue por muito tempo, pois as máscaras caem e ela mesma não é feliz. A Palavra tem o poder de transformar e denunciar os erros cometidos.

Vamos também nos perguntar: a quem nós servimos? A nós mesmos ou a Deus? Aos nossos luxos, caprichos, egoísmos ou ao Nosso Senhor? Comecemos a dar os passos necessários para uma verdadeira transformação do nosso coração. Sendo fieis nas pequenas coisas, buscando ao Senhor verdadeiramente e sabendo administrar as coisas de Deus de forma sábia, Ele vai nos dando sempre algo a mais; seremos fieis também nas coisas grandes.

Nesta santa celebração Eucarística rezemos pelos administradores públicos e pela conversão de todos. Estamos no ano eleitoral. Um momento oportuno para também rezarmos a fim de que sejam eleitos homens e mulheres de bem. Que os eleitores saibam escolher aqueles que são honestos, justos e verdadeiros. Que ninguém se deixe corromper vendendo seu voto ou trocando por favores e necessidades. Cobremos dos candidatos e dos que serão eleitos propostas para o bem comum da nossa sociedade onde todos sejam beneficiados e não apenas alguns.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós.

Abençoado Domingo e uma semana de paz e bênçãos para todos.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servos da Divina providência.

8 de setembro de 2016

HÁ ALEGRIA NO CÉU QUANDO UM PECADOR SE CONVERTE

O pecado, que consiste no afastamento do amor de Deus e o não cumprimento dos seus mandamentos, sempre acompanhou a raça humana. Muitas e muitas vezes o homem tentou e continua tentando ocupar o lugar de Deus. Porém, jamais conseguirá, pois é uma criatura e não tem como ocupar o lugar do criador. Aceitar a nossa condição é o primeiro passo para nos aproximarmos ainda mais de Deus sabendo que somos limitados e necessitados do seu amor, da sua misericórdia, da sua ternura.

O povo de Deus que Moisés estava conduzindo rumo à terra prometida, caiu várias vezes nesta tentação. Na Leitura deste 24º Domingo do Tempo Comum (Êxodo 32,7-11.13-14) o próprio Senhor lamenta o erro do povo quando se dirige a Moisés e diz: “Bem depressa desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, inclinaram-se em adoração”.

Hoje a história continua se repetindo. O homem continua criando deuses para si a fim de adorá-los. Quantos adoram o dinheiro, o poder, a corrupção, a tecnologia. São deuses construídos pelos homens e que os escravizam. São coisas que podem ajudar a humanidade a fazer um progresso, ou oprimi-la sempre mais. O problema reside justamente neste fazer para si deuses e deixar de buscar o único Deus verdadeiro. O deus que fazemos com nossas mãos é manipulado de acordo com os nossos desejos e vontades. O Deus de Moisés, Abraão, Isaac, Israel, Deus misericordiosos de Jesus Cristo pede que lhe sejamos obedientes, pois só Ele pode nos conduzir pelos caminhos da vida.

Muitas vezes somos como a ovelha que se extravia, foge da presença do Senhor. Ou como o filho que pensa ser ruim estar na casa do pai onde tudo encontra. Talvez você já tenha feito isso ou tenha tido a tentação de fazê-lo. Provavelmente conheces pessoas que também já tentaram fugir do amor de Deus e se perderam; outras conseguiram voltar.

Toda a Liturgia da Palavra deste Domingo quer nos mostrar que há “no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” e que Deus faz de tudo para ter seus filhos sempre junto de si. Deus não fica alegre quando os seus filhos se perdem. Neste capítulo 15 do Evangelho de Lucas aparece o esplendor do rosto paterno e misericordioso de Deus.

O Evangelho (15,1-32) deste Domingo traz três Parábolas para ilustrar tudo isso:

A primeira é da ovelha que se perde e Deus vai ao encontro dela. É verdade! O Senhor não quer perder nenhum dos seus filhos. Ele mesmo vai ao encontro das ovelhas perdidas através dos profetas, como Moisés, ou na figura do Pastor que hoje são para nós o Papa, os Bispos e os Sacerdotes. A ovelha precisa aceitar ser encontrada. Ela não pode ficar continuamente se escondendo, fugindo o amor de Deus. Quando ela se deixa envolver pela sua ternura, o reencontro acontece e ela é resgatada. A obediência é fundamental neste processo.

Na segunda Parábola que Jesus conta temos a moeda que se extravia. A mulher faz de tudo para encontrá-la: “acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente”. É assim que Deus faz quando algum dos seus filhos se extravia. Ele nos enviou a sua Luz que é a Sua Palavra para que possamos encontrar o caminho e jamais se perder dele.

E a terceira Parábola é a do pai que tem dois filhos. Um resolve ir embora porque não estava mais gostando de estar em casa, junto do pai. Outro, o que permanece, não aprende a ser misericordioso como o pai. Tem dificuldade de aceitar o irmão mais novo e lhe perdoar pelo que fez.

Importante notar que nas três Parábolas temos um final feliz e uma festa pelo reencontro. Assim acontece no céu. Os anjos e o próprio Deus se alegram e festejam quando os seus filhos são salvos pois foi para isso que Jesus veio ao mundo: para que todos sejam salvos.

Amados irmãos e irmãs. As nossas comunidades também devem ser o lugar o encontro ou do reencontro para aqueles que estão distantes. Quem sabe nesta semana você vai ao encontro de algum irmão ou irmã que está longe da comunidade e o convide a retornar. Fale com mansidão, carinho, ternura. Demostre amor em suas palavras. Lance o convite! Se ele voltar, você conseguiu resgatar mais uma alma. Mas se não voltar, continue rezando. Moisés intercedeu pelo povo e Deus o perdoou. Interceda pelo seu irmão, pela sua irmã para que Deus tenha misericórdia deles.

Vamos ao encontro do Pai na Palavra e na Eucaristia. Deixemos que o seu amor misericordioso nos transforme, renove, conforte e fortaleça. Peçamos o dom da fidelidade para perseverarmos sempre no seu amor. Que nenhum deus construído por mãos humanas nos afaste do verdadeiro e único amor: Jesus Cristo.

Abençoado Domingo e abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

1 de setembro de 2016

SEGUIR JESUS REQUER RENÚNCIA E DESPOJAMENTO

Estimados irmãos e irmãs.

Continuamos caminhando e aprendendo com o Mestre. Sua Palavra nos ensina, liberta, provoca. Neste mês de setembro a Igreja nos convida a fazermos um exame de consciência nos perguntando sobre a importância e o valor que damos a Palavra de Deus em nossa vida de fé.

Uma fé mal alimentada adoece e morre. Por isso a importância diária da leitura e meditação da Palavra de Deus para que a nossa fé não enfraqueça e seja contaminada por tantos pensamentos que destroem a nossa vida e as relações entre nós.

A Liturgia da Palavra deste 1º Domingo do mês da Bíblia e 23º Domingo do Tempo Comum nos mostra claramente as exigências do seguimento de Jesus Cristo. Vamos analisar algumas partes deste belíssimo, profundo e desafiador discurso que Jesus realiza, narrado por São Lucas (14,25-33).

Primeiro aspecto: “Grandes multidões acompanhavam Jesus!” Hoje vemos a cena se repetindo. Muitos querem acompanhar, mas poucos estão dispostos a segui-lo verdadeiramente. Acompanhar pode ser por um tempo determinado. Seguir é ir atrás caminhando no ritmo que o Mestre estabelece. Muitos fazem de Jesus um pop star e o seguem por um determinado tempo ou por um dos seus gestos. Escutamos seguidamente duas expressões: “vou em tal Igreja porque me sinto bem ou porque gosto!” Outra expressão contraditória usado por muitos católicos: “sou católico não praticante!” Isso não existe. Ou é, ou não é. Para poder dizer que é Católico, você precisa ser batizado na Igreja Católica e viver os seus ensinamentos, doutrinas e dogmas. Não podemos ser católicos pela metade.

Ainda temos, dentro desta multidão, os que vão a missa e buscam a Igreja só nas necessidades: Sacramentos, Missa de sétimo dia ou em outras ocasiões sociais. Para estes vale lembrar que Sacramento não se compra e a fé e muito menos a Igreja, é um supermercado que vamos só quando precisamos para satisfazer uma necessidade. A fé é compromisso permanente com a pessoa de Jesus Cristo.

Segundo aspecto: “Voltando-se, ele lhes disse: 'Se alguém vem a mim!’” O seguimento a Jesus Cristo é opção e adesão pessoal. Jesus faz a proposta mas nos deixa livres. Seguimos se queremos. Aos interessados em segui-lo, Ele apresenta as exigências e mostra que não é brincadeira, nem teatro e nem um caminho de emoções e aventuras como se fosse um passeio por um bosque. Vejamos:

Terceiro aspecto: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”.

Estas exigências causam um grande impacto na vida de qualquer discípulo. É por isso que muitos preferem o título de católicos, mas não praticam porque sabem que Jesus não brinca. É claro que estes que querem só o título não são cristãos católicos de fato.

Jesus quer colocar as coisas em seus devidos lugares e ordenar como devem ser. Quem coloca as pessoas, ainda que seja a própria família, os seus sonhos, as coisas acima de Deus, não pode ser discípulo; não pode ser cristão porque não vai entender e nem vai conseguir abarcar as exigências que Ele faz. Em primeiro lugar deve sempre estar Deus. Se é a Ele que nós seguimos e queremos imitar, é Ele que deve estar acima de tudo. É Ele que deve ser a nossa motivação.

Quarto aspecto: “Portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” Jesus exige disponibilidade total e absoluta para ir atrás dele até a Cruz. Só consegue entender e abraçar a Cruz quem é capaz de se esvaziar de si mesmo, como Jesus, e fazer a Sua e não a nossa vontade.

Quando estamos presos aos nossos gostos e desejos, vamos abraçando aquilo que nos satisfaz e que não exige muito de nós. Mas quando abraçamos a Cristo, com os dois braços, precisamos ir com Ele, até as últimas consequências do discipulado.

Quinto aspecto: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”. Aqui entendemos o mal de muitas pessoas que depois de um certo tempo abandonam a Igreja. Elas iludem-se pensando que podem caminhar sozinhas. Pensam que já sabem tudo sobre Jesus Cristo e podem segui-lo do seu modo. Engano! Discípulo, sempre será discípulo, necessitado da sabedoria e dos ensinamentos do Mestre. Não podemos cair na tentação de querer caminhar à frente de Jesus, pensando que somos autossuficientes.

Eis os desafios. Você escolheu seguir Jesus Cristo? Então, não tenha medo. Ele é um Mestre exigente, mas não nos abandona no meio do caminho. Ele continua nos fortalecendo e abençoando para que possamos suportar a cruz com paciência, humildade assim como Ele aceitou e carregou até o fim. Feliz de quem perseverar até o fim, pois receberá a recompensa eterno do seu esforço e total disponibilidade ao Senhor.

Deixemo-nos transformar e interpelar pela Palavra. Como discípulo, o que eu preciso superar, abandonar, deixar para trás? O que me impede de segui-lo com total liberdade e alegria? Por que sinto medo de deixar as coisas se é Ele quem tudo providencia? Senhor! Aumenta a nossa fé.

O Senhor abençoe todos os dias da tua vida para que sejas sábio, prudente e discípulo perseverante.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência