27 de novembro de 2015

CUIDAI DO VOSSO CORAÇÃO

Iniciamos o Advento e com ele um novo Ano Litúrgico. Quando iniciamos um novo projeto, um novo ano, é normal fazermos propósitos que queremos realizar no decorrer do mesmo e traçarmos metas a serem alcançadas. No caminho de fé não pode ser diferente.

Cada dia é uma nova oportunidade que Deus nos concede para fazermos as coisas com amor, alegria, entusiasmo. Cada ano renova-se a esperança de dias melhores. Acreditamos que ele será melhor.

A Palavra de Deus deste primeiro Domingo e dia do novo Ano Litúrgico é muito sugestiva pois nos convida a cuidarmos do nosso coração e a fazermos progressos constantes na caminhada de fé. Vejamos:

No Evangelho (Lucas 21,25-28.34-36) Jesus alerta: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida... Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força”.

Precisamos cuidar para que nosso coração não se torne uma lata de lixo onde jogamos o que não presta mais. As vezes guardamos muitas coisas ruins e nos esquecemos que somos templo do Espírito Santo. Quando não vigiamos sobre o nosso coração, corremos o risco de não vivermos a nossa vocação a santidade e aceitamos tudo o que o mundo nos apresenta. A insensibilidade à qual Jesus chama a atenção, nos torna pessoas duras e secas, sem vida e sem sentido.

Na segunda Leitura, tirada da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (3,12-4,2), recebemos um incentivo e um convite para que aumente o amor entre nós: “O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais... Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai”. Paulo convida a comunidade a nunca se contentar com o caminho realizado, mas a fazer progressos sempre maiores.

Queridos e amados irmãos. Quanta riqueza a Palavra de Deus nos lança neste primeiro Domingo do Advento. É um grande estímulo a vivermos a caridade, a cuidarmos de nosso coração e a buscarmos a fraternidade. Quantas dores seriam evitadas se vivêssemos nossa vocação. Quando vivermos bem, não tememos a morte, ou seja, o encontro com Cristo.

Neste tempo de graça e salvação, somos convidados a renovarmos ou fazermos bons propósitos buscando uma vida que seja íntegra. Buscar a harmonia com o Evangelho, caminho seguro para nossa salvação. Precisamos aprender que o nosso tempo de salvação é hoje! O tempo que o Senhor nos visita, o tempo da graça.

Desejo então que este Advento seja um momento especial onde façamos uma grande e profunda faxina, tirando tudo aquilo que não presta e que não nos deixa viver a nossa vocação à santidade. Fazendo isso, teremos um Natal feliz verdadeiramente, pois poderemos acolher Jesus; faremos nosso coração de manjedoura.

Não desanimemos no caminho. Pelo contrário, vamos nos dar as mãos e caminhar sempre com renovado ardor. Que o Senhor nos mostre os seus caminhos e nos faça conhecer a estrada certa, a estrada que nos leva à vida, como canta o salmista.

Deus abençoe a todos.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

20 de novembro de 2015

TU ÉS O REI

Chegamos ao final de mais um ano litúrgico. A festa solene de Cristo Rei nos remete à Jerusalém celeste, o paraíso, onde contemplaremos o Reinado de Cristo eternamente.

Fazendo uma avaliação da caminhada deste ano, convite lançado no domingo passado, vemos a mão de Deus conduzindo a história com muita sabedoria, paciência e misericórdia. A dinâmica da liturgia nos recorda que a fé é um caminho para toda a vida e precisamos nos animar e consolar. É na comunidade reunida que somos fortalecidos e encorajados a continuarmos o caminho. As vezes parece que as mazelas humanas vão vencer. Não podemos perder a esperança, pois a graça sempre triunfa do pecado, pois é maior.

Celebrando Cristo Rei do Universo, lembramos que nós cristãos devemos servir apenas um Rei, Jesus Cristo. Os reinos deste mundo são temporários, marcados por um início e um fim, por tragédias, ódio, guerra, destruição. Mas o Reino de Jesus é diferente, por isso não foi compreendido pelos judeus e por muitos de nós ainda hoje. Pois é um Reino de justiça, paz, amor, perdão, vida, misericórdia, fraternidade, enfim, vida em abundância para todos. Enquanto a vida não estiver em primeiro lugar, o Reino de Deus não está acontecendo.

Esta solenidade nos lembra também que o cristão deve louvar e adorar somente ao único Deus e Senhor. São João no Livro do Apocalipse (1,5-8) nos diz que só “a Ele a glória e o poder, em eternidade... Porque Ele é o Alfa e o ômega... Aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso”.

O prefácio nos ensina que Jesus é a vítima pura e pacífica que aceitou morrer pelos nossos pecados e que o seu Reino é de santidade e graça. Acompanhemos trecho deste belíssimo texto: “Com óleo de exultação, consagrastes sacerdote eterno e rei do universo vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-se na cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao seu poder toda criatura, entregará à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”.

Verdade o que a nossa liturgia proclama: “reino eterno e universal!” O único Reino que não passará é o de Deus. Para lá estamos peregrinando e a cada santa Missa já podemos experimentar um pouco desta alegria. Oferecemos o único e verdadeiro sacrifício pelo qual somos perdoamos e santificados.

Abençoado domingo. Deus continue nos guiando todos os dias. Nos preparemos com fé e esperança para vivermos bem o tempo do Advento que iniciaremos no próximo domingo, 29 de novembro.

Cristo Reina!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP

13 de novembro de 2015

TUAS PALAVRAS NÃO PASSARÃO

Estamos chegando ao final do percurso litúrgico deste ano de 2015. Como tradição, sempre que chegamos ao final de um ano, de um projeto, de um trabalho, é normal que façamos uma avaliação do caminho feito.

Na vida da liturgia da nossa Igreja não é diferente. Depois de havermos caminhado por doze meses, ouvindo a Palavra de Deus, celebrando a Eucaristia, precisamos avaliar como foi o percurso feito até aqui. O que crescemos em nossa fé ao longo deste ano? O que foi mais desafiador? Produzimos bons frutos?

A Palavra nos ensina que o Reino de Deus já está acontecendo no meio de nós, apesar de nem sempre vermos seus frutos claramente. Ele acontece como o fermento e a semente. Tem uma força que transforma as realidades, mas Deus respeita a caminhada do seu povo, como soube ser paciente com o povo de Israel.

Importante aprendermos que a Palavra de Deus permanece sempre viva e eficaz. Jesus nos lembra que “o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Marcos, 13,31). Tudo é passageiro nesta vida. Toda matéria passa. Permanecem os bens espirituais e os verdadeiros valores. Por isso devemos buscar aquilo que não passa, aquilo que ninguém pode tirar de nós. Afinal de contas, desta vida levaremos o bem que fizermos.

Muitos ao longo da história se auto-intitularam como profetas e que Deus os revelou o dia do fim do mundo. Estes se acharam mais importantes que o próprio Filho de Deus, pois Jesus já nos deixou claro que “quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos, nem o Filho, mas somente o Pai” (Marcos 13, 32). Ninguém sabe quando será o fim e como será exatamente. Deus há de restaurar todas as coisas quando Ele quiser e feliz daqueles que forem fieis discípulos, servindo-a na caridade.

Quando vivemos bem a nossa vida, não temos medo da morte. Geralmente quem teme morrer, é porque sabe que viveu a vida de qualquer jeito e tem medo do inferno. Vemos nos santos, por exemplo, pessoas que não temeram a morte, porque viveram totalmente para Deus.

Isso nos faz lembrar aquela pequena história do navio que estava naufragando. Todos apavorados correndo para tentar se salvar. A criança que dormia tranquila, ao ser acordada e interrogada porque não estava preocupada em se salvar, ela responde que não temia nada porque era seu pai o capitão que conduzia o navio.

Meus irmãos! Quando temos certeza de que Deus conduz a nossa vida, não tememos as turbulências que possam acontecer. A falta de fé é que nos faz sentir medo. Quando não amamos a Deus o suficiente, sentimos medo das coisas futuras. Mas a fé nos faz ver além. Faz-nos compreender que a vida é passageira e que estamos nas mãos do Pai. Estando em suas mãos, estamos seguros e salvos. Nenhuma tempestade nos afastará do seu amor. Nenhuma tribulação nos tirará a paz. Até porque não podemos nos salvar só com os nossos esforços. Jesus já nos salvou. A mim basta desejar viver de tal modo que mereça este prêmio. O demais, Ele já fez.

Desejo que o final deste ano litúrgico nos leve a uma séria revisão da nossa vida. Repensemos nossas atitudes e omissões. Sejamos pessoas comprometidas com o amor, pois só o amor pode nos libertar.

Lembremos da frase que o Papa emérito Bento XVI disse: “A melhor catequese é uma missa bem participada!” Não desprezemos as graças que Deus nos concede.

Abençoado domingo e abençoada semana. Vamos nos preparando assim para a grande festa do próximo domingo: Cristo Rei! É Ele o nosso verdadeiro Rei que dá vida em abundância para todos.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP

6 de novembro de 2015

OFERECEU TUDO O QUE POSSUÍA

Estamos nos aproximando do final do Ano Litúrgico. Neste 32º Domingo do Tempo Comum o Evangelho (Marcos 12,38-44) nos convida a humildade e a doação total.

Primeiro Jesus critica os fariseus que estão muito preocupados com a aparência e de serem chamados de mestres; gostam dos primeiros lugares nos banquetes e sinagogas. Usam a religião para se colocarem como superiores em relação ao povo e inclusive para usurpar as viúvas.

Em resposta a isso, Jesus mostra como deve ser o cristão, ao observar uma pobre mulher viúva que coloca sua oferta no templo. Mesma situação vemos na viúva que acolhe em sua casa Elias e lhe dá de comer tudo o que possuía para ela e seu filho(1 Reis 17,10-16).

Primeiro aspecto: Deus conhece o coração das pessoas e sabe quando as ofertas, aquilo que damos, é de coração ou simplesmente para cumprir uma obrigação. Isso pode também acontecer hoje quando damos o dízimo, visitamos um doente ou fazemos nosso gesto concreto de caridade. Damos com amor e por amor ou simplesmente para cumprir um ritualismo e obrigação ou para mostrar para os outros que estamos fazendo a oferta ou o gesto de caridade?

Segundo aspecto: as pobres viúvas deram tudo o que possuíam e não o resto. É interessante este aspecto porque muitas e muitas vezes doamos para Deus o que sobra. A oração do dizimista, por exemplo, nos lembra que Deus não é mendigo para darmos a Ele as sobras ou aquilo que não precisamos mais. Para Deus deveríamos dar sempre o melhor. Por exemplo, o melhor tempo de oração e não quando estamos muito cansados e não conseguimos mais orar. Ainda usamos como desculpa o cansaço e muitas vezes nem rezamos direito e não queremos ir a missa. Imaginou se Deus desse para nós as sobras? Claro que Ele não ficaria feliz com isso porque é um bom pai e como pai não fica feliz dando aos filhos as migalhas. Deus sempre nos doa o que tem de melhor. Deu-nos seu Filho para nossa salvação.

Terceiro aspecto: dar sem precisar criar alardes, mas no silêncio e no escondimento. É triste a pessoa quando fica anunciando as ajudas e ofertas e faz: Eu fiz! Eu ajudei! Então como já recebeu o reconhecimento dos homens, não precisará mais receber a recompensa de Deus.

Quarto aspecto: não usar da religião para prestígio pessoal como os fariseus. Isso é terrível, ainda mais quando vemos sacerdotes, bispos, religiosos ou até lideranças se usando da Igreja e do ser religioso ou ordenado para vanglória. Isso é um grande pecado que alguns de nós cometemos. Pessoas de Deus são chamadas para servir e não desejarem ser servidas.

Quinto aspecto: Deus abençoa a nossa generosidade. Uma mão fechada não dá e também não recebe. Uma mão que se estende e se abre para ajudar, também recebe ajuda. Porque, na verdade, tudo vem de Deus e feliz quem reconhece e partilha com aqueles que menos ou nada tem. E o princípio de justiça cristão é que todos tenham o suficiente para viver. Quando alguns acumulam, falta para outros.


Queridos e amados irmãos. As duas viúvas da liturgia deste final de semana, tanto a da primeira leitura do Livro dos Reis como a do Evangelho, nos ensinam que quando sabemos partilhar não nos falta o suficiente para viver. Quanto mais nos fechamos, mais pobre nos tornamos. Quantas pessoas estão cheias de dinheiro, mas vazias de Deus, do sentido da vida e de valores? Quantos acumulam pensando que a felicidade está no ter? Pobres e infelizes! Deste mundo não levaremos nada, somente o bem que fizermos.

Deixemos que esta Palavra nos interpele a darmos os passos que necessitamos para fazermos as mudanças necessárias em nossa vida. Que não sejamos mesquinhos e nem gananciosos.

“A vasilha de trigo não acabará e a jarra de azeite não diminuirá” quando partilharmos; muito pelo contrário, continuará sempre cheia porque Deus abençoa quem dá com alegria.

Abençoado domingo e abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.