30 de julho de 2015

Sacerdote e Eucaristia

Estimados irmãos e irmãs. Estamos iniciando o mês vocacional. Neste primeiro domingo de agosto (18º do Tempo Comum) vamos refletir sobre o ministério ordenado, os padres.

A Palavra de Deus nos apresenta Jesus como o verdadeiro pão que sacia a fome dos seus. Devemos ter cuidado para não nos deixarmos enganar. Muitos nos oferecem pão, mas nem todos nos dão o pão verdadeiro, Jesus Cristo. É por isso que o próprio Jesus alerta: “É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá a vida ao mundo... Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Evangelho de São João 6, 24-35).

E hoje quem nos oferece o pão o céu, Jesus Cristo? A Igreja através dos sacerdotes. Por isso só pode consagrar o sacerdote que for validamente ordenado e que estiver em comunhão com a Igreja.

Falando sobre a Eucaristia, João Paulo II disse que: “A Igreja vive da Eucaristia” (Ecclesia de Eucharistia, Nº 1). Sem a Eucaristia a Igreja deixaria de existir, pois aí está a sua centralidade. Sem a Igreja também não há Eucaristia, pois é na Igreja e pela Igreja que Ele existe.

A Eucaristia é a festa da comunidade. Por isso, somente os doentes podem recebe-la em sua casa. Todos os demais são convidados a participarem na comunidade da mesa da Palavra e da mesa do Pão.

Pela Eucaristia somos fortalecidos em nossa missão de cristãos. Ela nos alimenta e nos sustenta em nossa luta diária. Ela nos impulsiona para o bem. Nela somos renovados todos os dias; redobramos nossas forças para não ficarmos parados na metade do caminho.

Gostaria de fazer uma pausa aqui para refletir sobre a vocação sacerdotal. O sacerdote deve ser um homem de Deus. Ele, em primeiro lugar, precisa se alimentar diariamente da Eucaristia. Quando falta o verdadeiro alimento, corremos o risco de buscarmos outros e aí que mora o perigo, pois o alimento principal, pode se tornar secundário.

O sacerdote é alguém escolhido do meio do povo, da comunidade, e consagrado a Deus para este serviço. Ser padre não é status, mas compromisso com o Reino; serviço à todos de modo especial aos pobres.

A comunidade também precisa valorizar a pessoa do sacerdote. Vemos esta figura muitas vezes sendo denegrida pela mídia e muitos católicos ainda ajudam para que isso aconteça.

Sabemos que os sacerdotes são homens e não deuses. São convidados a buscar e a viver a santidade em tudo o que fazem. São ordenados para um ministério sagrado. Tudo isso faz pesar sobre nós muita responsabilidade. Carregamos, como muito bem nos diz São Paulo, um grande “tesouro em vasos de barro” (2 Coríntios 4,7). Mas este vaso pode cair e rachar e nem sempre encontra alguém capaz de ajudar a juntar de novo os cacos para que ele volte a ter a beleza de antes.

Não quero jamais justificar e nem encobrir certos pecados e que jamais deveriam ser cometidos pelos sacerdotes. Porém, até quando estes fazem tudo certo, muitos aplaudem; mas basta um pequeno pecado e muitos começam a jogar pedras. Precisamos rezar pelos nossos sacerdotes para que eles sejam santos e diante das suas limitações, buscar ajuda-los. Bonita é uma igreja, uma comunidade que estende as mãos para seus pastores e ajuda-os a caminhar e a servir melhor.

Uma outra preocupação são os padres ‘pop star’, muito preocupados com o sucesso e nem tanto com o Evangelho. Ainda tem aqueles que até usam do Evangelho para a fama. Lamentável! Vemos uma onde crescente de padres que querem estar nas grandes mídias, nos primeiros lugares na venda de CDs etc. Sem dúvida precisamos colocar nossos dons e talentos à serviço do Evangelho, mas lembrando sempre que Jesus Cristo deve crescer e eu diminuir, como dizia João Batista. A minha luz não pode ofuscar a luz de Cristo. Aqui mora o perigo.

Vamos também lembrar daqueles sacerdotes que no escondimento, na humildade, são sementes do Reino em muitos lugares, especialmente nos mais pobres e abandonados. Estes merecem nosso reconhecimento e gratidão.

Queria com isso animar ainda mais as nossas comunidades a incentivarem as vocações sacerdotais. É nas famílias que as vocações nascem e são cultivadas. Muitos jovens tem encontrado resistência e dificuldades com os pais e familiares que além de não apoiarem, ainda se opõe de forma clara sobre o seguimento nesta vocação.

Resgatar também o valor da oração pelas vocações. Pois se não tivermos sacerdotes, muitas comunidades continuarão sem Eucaristia e o acesso ao Sacramento da Confissão.

O mês de agosto é o momento oportuno para refletirmos sobre a vocação à qual Deus me chama e rezar para que a sua vontade se torne mais clara na minha vida. Vocação é dom de Deus a serviço dos irmãos. Quem descobre e segue, é feliz. Não podemos nos esconder de Deus, pois Ele têm para nós um projeto de amor.

Pe. Hermes J Novakoski, PSDP

24 de julho de 2015

Oração e partilha

Nossa caminhada de povo de Deus continua rumo à Terra Prometida. Somos caminheiros neste mundo, alimentados pela Palavra e pelo pão partilhado. Estamos no 17º Domingo do Tempo Comum.

Neste Domingo, dia do Senhor, somos convidados a partilha que gera o milagre da saciedade. Quando há partilha, não há necessitados. Quando há partilha, não falta, porque Deus mesmo se faz o pão e abençoa a quem partilha.

O homem que vem para dar alimento a Eliseu, traz consigo vinte pães de cevada e trigo. Porém, Eliseu não se contenta em comer só e pede para que o homem reparta estes pães com as cem pessoas que estavam com ele. (I Leitura: 2 Reis 4,42-44). 

No Evangelho Jesus olha para a multidão que acorre para Ele. Levanta os olhos e vê a multidão faminta e reparte cinco pães e dois peixes para cinco mil homens (Evangelho: João 6,1-15). Estes se alimentam e ainda sobrou, assim como também Elias tinha dito que comeriam e sobraria.

Queridos irmãos e irmãs, amigos e amigas. Hoje vivemos, como bem sabemos, um momento particular. No mundo o alimento produzido alimentaria duas vezes a quantidade de pessoas que existem. Por que será que tantas pessoas ainda morrem de fome? A resposta é lógica! Porque não existe partilha. Mas por que não existe partilha? Porque não se têm Deus no coração.

A partilha acontece quando temos Deus em nosso coração. Talvez você conheça pessoas que nem vão para a Igreja, mas que fazem belíssimos gestos de caridade. O que é isso? Deus! Claro que agora não vamos achar que não precisamos mais ir a Igreja. Muito pelo contrário. Nós que já participamos precisamos ainda mais buscar aprender com o Mestre a partilha.

No contexto de Pós Modernidade que estamos vivendo a partilha não é uma palavra que soa bem. Parece estranho, coisa do passado. No mundo do 'meu', é difícil falar do 'nosso'. Mas é por causa deste 'meu' tão profundamente arraigado, que tantas pessoas não tem o mínimo necessário para sobreviver. Este 'meu' é tão mal entendido que gerou muitas pessoas egoístas e tão preocupadas consigo mesmas que esquecem que vivemos num mundo de irmãos. Sim. Vivemos numa casa comum, temos "um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos" (II Leitura: Efésios 4,1-6). Se Deus é Pai de todos, por que sentimos tanta dificuldade em partilhar com os irmãos?

Antes de olhar para as grandes nações e para os milionários (2% da população mundial detém 50% das riquezas produzidas), precisamos olhar para dentro de nossas casas. Qual a cultura que nossos filhos estão aprendendo: da partilha ou do egoísmo? Aprendemos a partilhar em casa e quem não partilha o pouco que possui, não partilhará o muito. Precisamos compreender que partilha não é só quando temos muito, mas ela tem que ser do que temos. O menino do Evangelho não tinha muito, apenas cinco pães e dois peixes. Ele poderia dizer: 'Isso é meu e não posso partilhar porque se não também vou passar fome'. Mas ele oferece a Jesus tudo o que possuía e por isso o milagre acontece. Quando oferecemos à Deus o que temos, ainda que pouco, ele se transforma em muito.

Muitos ainda dizem: "Onde Deus está que não acaba com a fome do mundo?" Deus poderia perguntar: "Onde estão os meus filhos, aqueles que dizem que me amam, me adoram, que não partilham?" É isso mesmo! Jesus não prometeu (ainda que muitos insistem hoje em dizer isso) dinheiro, riqueza, poder. Ele mesmo disse que o "Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça" (Mateus 8,20). Ele prometeu que estaria conosco todos os dias até o fim dos tempos (Cf Mateus 28,20) para nos ensinar que o Reino de Deus é partilha e não acúmulo, é solidariedade e não egoísmo. A fome não é problema de Deus, mas nosso. Deus nos deu tudo para que todos tenham o suficiente para viver (princípio da justiça), porém como poucos querem tudo, falta para muitos o mínimo necessário. É fácil querer jogar a culpa para Deus ou querer que Deus resolva um problema criado pelo homem. Isso é não querer se comprometer e cruzar os braços diante de tantas injustiças e egoísmos.

As mais lindas lições de partilha vemos acontecer entre as pessoas mais simples e sou testemunha disso. Os ricos geralmente partilham do que sobra. Os pobres dão tudo o que tem. É por isso que o Reino de Deus já está acontecendo no meio daqueles que partilham com amor tudo o que possuem. Com isso não estou querendo dizer que os ricos são todos egoístas. Não! Temos muitos que usam dos bens que possuem para a prática da caridade. E o mundo só não está pior porque ainda existem pessoas de Deus, com o coração generoso.

A liturgia deste final de semana nos convida a colocarmos nas mãos de Deus tudo o que temos. E quando nossas mãos se abrem para dar, também podem receber. Quando se fecham para acumular, não podem nada receber. Gosto desta expressão: "Ninguém é tão rico que não precisa de nada e tão pobre que não pode oferecer nada".

Termino com esta pequena história: Dizem que tanto no céu como no inferno existia uma montanha de alimentos. No inferno os garfos eram pequenos e todos podiam se alimentar sozinhos. No céu os garfos eras compridos que não tinha como se alimentar sozinho. Então alguém pergunta para Jesus porque os garfos eram compridos no céu e curtos no inferno. Jesus respondeu: porque aqui um alimento o outro. Isso é o céu: partilha! Um cuidando do outro e não preocupado egoisticamente consigo mesmo. Como nos diz São Paulo na carta das Efésios: "um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos".

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

19 de julho de 2015

Discernimento vocacional



É muito importante saber que VOCAÇÃO não é fazer o que eu quero
Quando eu quero 
Como eu quero 
Onde eu quero

MAS, 
Fazer a vontade de Deus 
Quando Ele quiser
Como Ele quiser 
Onde Ele quiser. 

É diferente... 
Porque a vocação é Dom de Deus
E se é Ele quem chama, preciso buscar saber d'Ele como proceder.

Discernimento não se faz sozinho;
Não é escolher o que me 'eu acho', o mais fácil e o mais conveniente. 
É caminhar nas pegadas do Mestre orientado por alguém que está fazendo também este caminho! 

Bom discernimento jovens! 

Os meus amigos


Sentados numa roda
Jogando conversa fora
Aliás, com os amigos
Todas elas são da hora!

Falamos de nossos projetos
De sonhos e do passado
As histórias são bonitas
Fatos também engraçados

Amigos novos são sempre bem vindos
Caminham conosco em nossa luta
Assim não me sinto só
Naquilo que hoje se busca

E aqueles que já são de outras primaveras
Meu abraço e também gratidão.
Pois ajudaram a superar tantas coisas
Hoje vos carrego em meu coração.

A amizade é sempre um mistério
Nela mergulhamos sem saber o que vai dar
Só aqueles que encontram os amigos verdadeiros
Conseguem compreender este caminhar

De fato a amizade é um caminho
As vezes marcados com espinhos
Mas não podemos parar nos obstáculos
Afinal, não estamos sozinhos!

Hoje estendo as mãos para abraçar
Expressar meu amor e agradecer 
Todos vocês são esta grande família
Sem a qual eu não consigo mais viver.

Deus abençoe a todos em abundância
Pelo bem que fazem em se doar
Porque amigos que são verdadeiros
Não nos abandonam na metade do andar.

Feliz dia do amigo! Feliz dia da amizade!
Com você aprendi a ser mais feliz 
Porque amizade é uma escola para toda vida
Superando as nossas próprias dificuldades.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP
Marituba, Julho de 2015.

17 de julho de 2015

Olhar de compaixão do bom Pastor

Estamos no 16º Domingo do Tempo Comum e a Igreja nos convida a acolher e imitar as práticas do bom Pastor, Jesus Cristo. (Evangelho Marcos 6, 30-34).

O profeta Jeremias (23, 1-6) diz que o Senhor condena os pastores que não cuidavam do seu rebanho e por este motivo o rebanho não sabia por onde caminhar. Por isso Ele diz que suscitará um pastor que "fará valer a justiça e a retidão".

No Evangelho Jesus aparece como o Pastor atento as necessidades, com um coração bom, cheio de compaixão. "Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor". Ele estava atento e percebia as necessidades das suas ovelhas, por isso "começou a ensinar-lhes muitas coisas".

A dinâmica é interessante. Só pode haver pastor se houver ovelhas; mas as ovelhas precisam acolher os ensinamentos do Pastor. Se elas quiserem caminhar sozinhas não poderão ser alimentadas pela sabedoria do Pastor.

Vivemos hoje um momento particular. Olho por exemplo para o Papa Francisco. Quanta sabedoria e quanto esforço em ser para todos nós o Pastor bom. Aplaudimos seus discursos, atitudes, mas parece que o que ele diz e faz não entra com facilidade em nossos corações. Por quê? Queremos ser ovelhas que pensam que sabem caminhar sozinhas. Se não há ovelhas, haverá pastor?

Isso acontece também na vivência da fé. Queremos apenas aquilo que nos agrada. Somos muitas vezes ovelhas teimosas e exigentes. As multidões acolhiam os ensinamentos de Jesus. Viviam? Alguns sim. Outros nem tanto. Hoje se repete a mesma cena. Corremos para ouvir o Papa, a Palavra, mas Ela nem sempre encontra espaço para produzir frutos em nossa vida.

Quando acolhemos esta Palavra e nos esforçamos em vivê-la, nos tornamos pessoas novas (II Leitura Efésios 2, 13-18). Abrem-se para nós as portas para termos acesso ao Pai. Ele se revela a nós e não queremos mais abandonar o Pastor ou ir em busca de outros pastores.

Deus é generoso para conosco. Ele nos dá muito, muito mais do que pedimos. Sua graça é uma fonte que nunca seca e nos surpreende. Mas só recebe quem busca, quem ouve, quem guarda Sua Palavra.

Você consegue distinguir o bom Pastor dos falsos pastores? A Palavra nos dá estes elementos. Fiquemos atentos.

Senhor, "multiplicai em nós os dons da vossa graça, para que, repletos de fé, esperança e caridade, guardemos fielmente os vossos mandamentos" (Oração do dia).

Para que possamos dizer como o salmista (Salmo 22): "O Senhor é o Pastor que me conduz; não me falta coisa alguma".

Participe da sua comunidade. Alimente-se da fonte da graça: Palavra e Eucaristia. Seja imitador do Pastor. Abençoado domingo e abençoada semana.

Pe. Hermes Novakoski

16 de julho de 2015

História de Nossa Senhora do Monte Claro

 Padroeira da Polônia e da comunidade polônica no Brasil


                Pe. Zdzislaw MALCZEWSKI SChr

O quadro de Nossa Senhora de Monte Claro não é somente venerado em Częstochowa, mas em toda a Polônia e em diversos lugares do mundo. Os poloneses que por tantos motivos eram obrigados a deixar a pátria e migraram, levavam consigo o quadro de Nossa Senhora de Monte Claro. Os imigrantes construiram igrejas, capelas que dedicaram à Nossa Senhora de Monte Claro. No Brasil temos também alguns templos, paróquias que levam o nome de Nossa Senhora de Monte Claro ou Częstochowa. Poderiamos apresentar o número exato de famílias de descendentes de poloneses que guardam com muita veneração e devoção em suas casas o quadro de Nossa Senhora de Monte Claro?

O centro espiritual da Polônia é a cidade de Częstochowa. Caminhando pela Avenida de Nossa Senhora (Aleje Najświetszej Maryi Panny) em Częstochowa, o peregrino avista-se com uma colina chamada JASNA GÓRA (Monte Claro). Em cima dela ergue-se um complexo de edificações: a igreja-basílica e o convento dos padres paulonos. No centro deste complexo encontra-se um tesouro todo especial que possui Jasna Góra (Monte Claro), tesouro que influi decisivamente na vida e caráter da colina: o quadro da Mãe de Deus, Maria Santíssima, chamada NOSSA SENHORA DE MONTE CLARO (ou: Nossa Senhora de Częstochowa). O quadro é conhecido também como VIRGEM NEGRA. Ele mede 112x82 cm.

Na segunda metade do século XV, o eminente historiador polonês Jan Długosz escreveu em “Liber beneficiorum diocesis cracoviensis”, que em Częstochowa “mostram a imagem de Maria preclara, Virgem muito venerável, soberana do mundo e nossa, imagem feita com uma rara e maravilhosa arte. A expressão do seu rosto é muito doce, independente do lado que se olha. Dizem que foi São Lucas Evangelista que pintou esta imagem (...). Aqueles que contemplam esta imagem sentem-se invalidos por uma particular devoção: sentem-se como se olhassem para uma pessoa viva”. Essa descrição poética de Długosz não corresponde exatamente a verdadeira história do quadro. Nem a análise artística, e nem a análise histórica chegam às concluções definitivas.

Pode se constatar que o original do quadro era um ícone bizantino inspirado numa imagem venerads em Constantinopla a partir do século V, num bairro de pilotos e guias do porto. Esse tipo representação da Virgem com Menino no braço esquerdo, que nas suas versões mais antigas tinha numa das mãos um rolo de pergamino, mais tarde um livro, chamava-se “Hedegedria”. O original de Constantinopla foi destruido durante a invasão da cidade pelos turcos no ano de 1453. Na época já existiam várias cópias e versões, famosas no mundo cristão. Uma delas é a chamada Virgem de Neves, ou Solus Populi Romani, que se encontra na capela paulina da basílica romana Santa Maria Maggiore e outra é justamente a Virgem de Czêstochowa. É difícil determinar a data de origem desta última. Poderia ser pintada no período de V até XIV século. Quando ao lugar, também não se chegou a uma definição.

O que se sabe, é que o quadro chegou a Jasna Góra (Monte Claro) no dia 31 de agosto de 1382, trazido por Ladislau de Opole (Władysław Opolczyk), Governador de Rutênia, que residiu na cidade de Bałz nos anos de 1372 até 1387. A imagem então devia ser trazida à Jasna Góra de Rutênia. Encontramos a descrição de seu translado num manuscrito do século XV. Este manuscrito confirma também o culto ao quadro. Refere-se também aos donativos e valiosas oferendas trazidas pelos peregrinos não só da Polônia, mas também do estrangeiro. “... de toda a Polônia e dos países vizinhos como Silésia, Morávia, Hungria, Prússia”.

Długosz relata na sua obra fundamental “História polonesa” um acontecimento ocorrido no ano de 1430, que terá uma influência decisiva na forma posterior do quadro. Um grupo de saqueadores ligados ao movimento hussita, composto de poloneses, tchecos, alemães e rutenos convencidos de que o “mosteiro de Jasna Góra possui grandes tesouros e dinheiro (...), na Páscoa da Ressurreição assaltou o convento dos paulinos. Não encontrando nenhum tesouro, alguns levantaram as mãos sacrílegas contra os objetos sagrados, cálices, cruzes, adornos. Inclusive despojaram o quadro de Nossa Senhora do ouro e jóias com os quais foi ornado pela gente devota. Mas não se limitaram a saquear e atravessaram com uma espada o rosto da Virgem, quebrando a tábua de madeira (...). Depois de cometerem este atentado, fugiram com pouca coisa, manchados por crime do que enriquecidos”.

Os paulinos levaram o quadro ultrajado à Cracóvia para mostrá-lo ao rei Ladislau Jagiełło. O rei mandou restaurar o quadro. Primeiro a restauração foi confiada aos artistas da corte, que favoreciam a pintura bizantino-russa. Não conseguindo uma restauração desejada, o rei entregou o quadro aos artistas da Europa Ocidental. Foram estes artistas que deram o toque final ao quadro.

Os monjes e fiéis haviam se acostumado às cicatrizes no rosto da Virgem. Seguindoos cortes nas tábuas do quadro, os artistas pintores, ao restaurá-lo, colocaram dois raios vermelhos na face direita de Nossa Senhora. Desta maneira, nasceu uma imagem sacra mais característica da cultura polonesa: bizantino oriental no seu conteúdo e européia ocidental na sua forma.

Um dos fatos que marcou a história do mosteiro e do santuário do Monte Claro, foi a invasão dos suecos. Quando em 1655, toda a nação parecia sucumbir, o rei João Casimiro havia se refugiado no estrangeiro e somente 300 homens refugiados em Monte Claro, qual uma ilha, resistiam ao combate de mais ou menos de dez mil soldados. O prior do convento na época era o frei Agostinho Kordecki, homem de grande fé e coragem, que soube lidar e entregar-se a proteção da Virgem Mãe. O cerco durou seis longas semanas. Enquanto os canhões dos invasores disparavam em direção ao muro, passava a procissão com o quadro milagroso ou com o Santíssimo Sacramento e o prior com a cruz na mão abençoava os defensores. Depois de muita luta sem sucesso os soldados suecos desanimados se obrigaram a recuar. Toda a Polônia se rendeu; somente este mosteiro resistiu e essa defesa milagrosa mobilizou os poloneses, que chefiados por Estevão Czarnecki expulsaram os invasores da Polônia. Após esta vitória, em 1656 o rei João Casimiro reuniu sua corte e solenemente consagrou o seu reino a Nossa Senhora.

Mais tarde, instituiu-se no dia 3 de Maio a festa da Rainha da Polônia. A festa de Nossa Senhora de Monte Claro celebra-se no dia 26 de agosto.

Desde o século XV, o fundo do quadro foi coberto de placas de prata que representam as cenas da vida de Jesus e Maria e de Santa Bárbara. As coroas de ouro da Virgem e do Menino foram doadas pelo Papa Pio X por ocasião da nova coroação.

A imagem de Nossa Senhora de Częstochowa, contada nos poemas, bordada nas bandeiras das tropas polonesas, gravada nos medalhões dos hússaros, a partir do século XVII, estava também coberta pelos mantos de grande valor. Atualmente possui cinco mantos. Os reis, os marechais poloneses rezavam diante deste quadro antes de sair com as suas tropas para os campos de batalha, e ao regressar se ajoelhavam diante dela para agradecer a vitória e oferecer seus presentes, muitas vezes conquistados dos inimigos vencidos. Aos reis e marechais, se juntava a nobreza, os artesãos e os camponeses. Os colares que são adornos mais vistos nos vestidos da mulher camponesa polonesa, formam o principal elemento de um dos mantos mencionados do quadro da Virgem. Outro manto fonfeccionado em 1966 (quando a Polônia celebrou mil anos de cristianismo) foi ornado com jóias de rubins, procedentes principalmente do século XVII e com centenas de alianças que ofereceram a Virgem muitos casais, chama-se manto de fidelidade.

Jóias esmaltadas, pequenas obras primas de arte, com inscrustações de diamantes, esmeraldas, pérolas e rubins oferecidos a Jasna Góra (Monte Claro) como donativos que foram incorporados no manto mais rico chamado “manto de diamantes”. Nestas jóias se reflete toda a história de ourives da Europa e do Ocidente, desde os fins do Renascimento até a Arte Nova.

Nos últimos tempos, expões-se o quadro com mais freqüência sem os mencionados adornos. Por isso, o colorido autêntico do quadro aparece mais expressivo. A severidade bizantina do modelo com a suavidade e lirismo da pintura européia da primeira metade do século XV, determinam o encanto único do gênero com que a Virgem de Częstochowa sub-juga os peregrinos e os visitantes. É o maior tesouro de Jasna Góra (Monte Claro), não só de ponto de vista do culto, mas também do ponto de vista artístico, sem falar do seu incomparável valor histórico.

 ORAÇÃO À NOSSA SENHORA DE MONTE CLARO 
Virgem Santíssima, Mãe de Deus, amada e venerada em nosso Santuário de Monte Claro, onde através dos séculos, fostes a dispensadora de graças a vosso povo fiel, vinde em nosso auxílio, salvai-nos, nós vos suplicamos, como livrastes de tantos perigos os nossos antepassados. Amém.

A VOCAÇÃO

Algo tão grande e tão sublime que não conseguimos abarcar na totalidade. Como então podemos discernir e caminhar sozinhos?

Tamanha ousadia têm aqueles que pensam que podem perscrutar sozinhos os caminhos do Senhor.

Mas Deus tem paciência e misericórdia, porque Ele é Pai, um bom Pai. Mas não podemos brincar de discernir.

Fico muito triste quando vejo pessoas brincando com sua vocação como se fosse um jogo de xadrez onde você determina as jogadas. No jogo você é quem determina porque você quer jogar. A vocação não é propriedade sua, por isso não dá para brincar como se fosse um jogo onde se leva vantagem; mas as vezes também se perde. Quem abraça sua vocação nunca sairá perdendo porque ela é dom de Deus.

Mais triste ainda quando vejo pessoas desencaminhando outros da sua vocação. Quem somos nós para tirar alguém dos caminhos do Senhor? Muitos ousam alegar que é amor. Mas que amor? O amor que é Deus quer a liberdade e a felicidade e não aprisiona ninguém. Precisamos rezar mais.