26 de junho de 2015

Purificados pelos amor de Deus

Toda ação litúrgica é uma grande e única oportunidade para sermos purificados de tudo aquilo que nos afasta de Deus. Jesus, como ouvimos no Evangelho de hoje (Mateus 8,1-4), pode fazer isso na nossa vida. Ele quer nos purificar! Ele se oferece por nós na Eucaristia para nos purificar e transformar. Ele também nos oferece Sua Palavra.

A comunhão da Eucaristia que nós fazemos deve nos ajudar a superar toda divisão e exclusão. Devemos incluir as pessoas. Toda divisão é contra a vontade de Deus. Quem excluiu, não ama!

Fica o convide que Deus faz a Abrão: "Anda na minha presença e sê perfeito"!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP

Catequese do Papa Francisco sobre conflitos nas famílias

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 24 de junho de 2014
Nas últimas catequeses falei da família que vive as fragilidades da condição humana, a pobreza, a doença, a morte. Hoje, em vez disso, refletimos sobre as feridas que se abrem justamente dentro da convivência familiar. Quando, isso é, na própria família se faz mal. A pior coisa!
Sabemos bem que em nenhuma história familiar faltam os momentos em que a intimidade dos afetos mais queridos é ofendida pelo comportamento dos seus membros. Palavras e ações (e omissões!) que, em vez de exprimir amor, corroem-no ou, pior, mortificam-no. Quando estas feridas, que ainda são remediáveis, são negligenciadas, elas se agravam: transformam-se em prepotência, hostilidade, desprezo. E naquele ponto podem se tornar lacerações profundas, que dividem marido e mulher e induzem a procurar compreensão, apoio e consolação em outro lugar. Mas muitas vezes esses “apoios” não pensam no bem da família!
O esvaziamento do amor conjugal difunde ressentimento nas relações. E muitas vezes a desagregação recai sobre os filhos.
Bem, os filhos. Gostaria de me concentrar um pouco sobre este ponto. Apesar da nossa sensibilidade aparentemente evoluída, e todas as nossas refinadas análises psicológicas, pergunto-me se nós não estamos anestesiados também a respeito das feridas da alma das crianças. Quanto mais se procura compensar com presentes e lanches, mais se perde o sentido das feridas – mais dolorosas e profundas – da alma. Falamos muito de distúrbios comportamentais, de saúde psíquica, de bem-estar da criança, de ansiedade de pais e filhos… Mas sabemos ainda o que é uma ferida da alma? Sentimos o peso da montanha que esmaga a alma de uma criança, nas famílias em que se trata mal e se fala mal, até o ponto de despedaçar o laço da fidelidade conjugal? Que peso há nas nossas escolhas – escolhas erradas, por exemplo – quanto peso tem a alma das crianças? Quando os adultos perdem a cabeça, quando cada um pensa apenas em si mesmo, quando o pai e a mãe se agridem, a alma dos filhos sofre imensamente, prova um desespero. E são feridas que deixam a marca para toda a vida.
Na família, tudo é interligado: quando a sua alma é ferida em qualquer ponto, a infecção contagia todos. E quando um homem e uma mulher, que se empenharam em ser “uma só carne” e em formar uma família, pensam obsessivamente nas próprias exigências de liberdade e de gratificação, esta distorção afeta profundamente o coração e a vida dos filhos. Tantas vezes as crianças se escondem para chorar sozinhas… Devemos entender bem isso. Marido e mulher são uma só carne. Mas suas criaturas são carne de sua carne. Se pensamos na dureza com que Jesus adverte os adultos a não escandalizar os pequenos – ouvimos na passagem do Evangelho (cfr Mt 18,6) – , podemos compreender melhor também a sua palavra sobre a grave responsabilidade de proteger o laço conjugal que dá início à família humana (cfr Mt 19, 6-9). Quando o homem e a mulher se tornam uma só carne, todas as feridas e todos os abandonos do pai e da mãe incidem na carne viva dos filhos.
É verdade, por outro lado, que há casos em que a separação é inevitável. Às vezes pode se tornar até mesmo moralmente necessária, quando se trata de salvar o cônjuge mais frágil, ou os filhos pequenos, de feridas mais graves causadas pela prepotência e pela violência, das humilhações e da exploração, da indiferença.
Não faltam, graças a Deus, aqueles que, apoiados pela fé e pelo amor pelos filhos, testemunham a sua fidelidade a um laço no qual acreditaram, por mais que pareça impossível fazê-lo reviver. Não todos os separados, porém, sentem esta vocação. Nem todos reconhecem, na solidão, um apelo do Senhor dirigido a eles. Em torno de nós encontramos diversas famílias em situações consideradas irregulares – não gosto dessa palavra – e nos colocamos muitas interrogações. Como ajudá-las? Como acompanhá-las? Como acompanhá-las para que as crianças não se tornem reféns do pai ou da mãe?
Peçamos ao Senhor uma fé grande, para olhar a realidade com o olhar de Deus; e uma grande caridade, para abordar as pessoas com o seu coração misericordioso.
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

20 de junho de 2015

O BARCO DA NOSSA VIDA

Reflexão a partir do texto de Marcos 4,35-41 - 12º Domingo do Tempo Comum.
A Palavra de Deus nos apresenta a cena de Jesus no barco com seus discípulos para fazer uma travessia. A ordem de partir é de Jesus: “Vamos para a outra margem!” A mensagem de salvação precisa ser levada para outros lugares. O Evangelho não pode ficar preso a um lugar determinado, ele não é propriedade de um povo e de alguém.
Temos alguns elementos a serem considerados antes de continuar a reflexão. O barco que pode ser a nossa vida pessoal, a nossa família ou ainda a comunidade, a Igreja a que pertencemos. O mar é o mundo. As ondas que invadem o barco são as forças do mal. Os discípulos somos nós e Jesus.
No barco da nossa vida as vezes esquecemos de Jesus. Deixamos Ele “dormindo” no fundo do barco. Atrás, como se Ele não tivesse nada a ver com a nossa vida. Queremos conduzir sozinhos este barco pensando que somos capazes disso.
O mundo está cheio de forças do mal que muitas vezes vão enchendo a nossa vida e o nosso coração. Estas forças são o desânimo, a preguiça espiritual, a inveja, a falta de fé, a desconfiança na Igreja e nas pessoas, a fofoca, enfim, são muitas coisas ruins e que você pode perceber se fizer um exame de consciência.
Geralmente estas forças do mal vão enchendo o barco da vida, o barco da família porque nós deixamos elas agirem. Esquecemos de Deus. Deixamos Ele lá no fundo do barco como uma peça qualquer, como algo que pode ser usado quando houver necessidade. Mas Jesus está aí... As vezes nem percebemos, ou melhor, não temos consciência da sua presença, mas Ele está. Ele nos acompanha apesar de nós nem sempre acreditarmos nisso.
Aí quando o barco começa a ser tomado pelas forças do mal, muitos desistem e não querem mais seguir em frente. Pensam que não vale a pena continuar. Muitos querem que Deus resolva todos os problemas; que Ele tire as forças do mal da nossa vida e do nosso caminho de forma mágica como vemos em filmes.
Jesus acalma as ondas, o mal. Sua força e seu poder podem fazer isso. Você crê? Mas Ele não nos tira do caminho (mar). Precisamos continuar a nossa jornada.
Depois que Jesus acalmou as ondas, Ele chama a atenção dos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” Esse puxão de orelha é para nós também. Muitas vezes somos medrosos, melindrosos. Acreditamos mais na força do mal do que na força e na graça de Deus. Pensamos que Deus não pode vencer estas forças malignas. Quantas vezes diante das dificuldades você pensou em desistir? Quantas vezes você foi tentado a acreditar que não valia a pena continuar? É isso que o mal faz. Tira de nós a esperança. E depois que tira a esperança, leva o resto e nós ficamos desesperados e não sabemos o que fazer.
Não vamos ter medo de enfrentar os desafios da vida. Mas não vamos querer resolver tudo sozinhos, pensar que podemos caminhar sozinhos. Ele vai conosco e com Ele podemos vencer e chegar ao destino final que é o céu. Com Ele podemos atravessar todas as tempestades, pois Ele é mais forte.

Termino com esta famosa e muito expressiva frase: “Não diga para Deus teus problemas, mas diga ao teus problemas que você tem um Deus!” A lógica é invertida e você não se torna escravo dos teus problemas e dificuldades. Toma a vida nas mãos com coragem! Não tenha medo! Cristo venceu a morte para nos mostrar que para Ele tudo é possível. Você crê? Eu creio!
Pe. Hermes José Novakoski, PSDP - 20/06/2015

17 de junho de 2015

Catequese do Papa Francisco sobre o luto na família

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 17 de junho de 2015
No percurso de catequeses sobre família, hoje tomamos inspiração diretamente do episódio narrado pelo evangelista Lucas, que escutamos há pouco (cfr Lc 7, 11-15). É uma cena muito comovente, que nos mostra a compaixão de Jesus por quem sofre – neste caso uma viúva que perdeu o único filho – e nos mostra também o poder de Jesus sobre a morte.
A morte é uma experiência que diz respeito a todas as famílias, sem exceção alguma. Faz parte da vida; no entanto, quando toca os afetos familiares, a morte nunca consegue parecer natural. Para os pais, perder o próprio filho é algo particularmente desolador, que contradiz a natureza elementar das relações que dão sentido à própria família. A perda de um filho ou de uma filha é como se o tempo parasse: abre-se um buraco que engole o passado e também o futuro. A morte, que leva o filho pequeno ou jovem, é um tapa nas promessas, nos dons e sacrifícios de amor alegremente entregues à vida que fizemos nascer. Tantas vezes vêm à Missa na Casa Santa Marta pais com a foto de um filho, de uma filha, criança, rapaz, moça, e me dizem: “Foi embora, foi embora”. E o olhar é tão doloroso. A morte toca e quando é um filho toca profundamente. Toda a família permanece meio que paralisada, sem palavras. E algo de similar atinge também a criança que permanece sozinha, pela perda de um pai, ou de ambos. Aquela pergunta: “Mas onde está o papai? Onde está a mamãe? – “Está no céu” – “Mas porque eu não o vejo?”. Esta pergunta abrange uma angústia no coração da criança que fica sozinha. O vazio do abandono que se abre dentro dela é mais angustiante pelo fato de que não tem nem ao menos experiência suficiente para “dar um nome” àquilo que aconteceu. “Quando o papai vai voltar? Quando a mamãe vai voltar?”. O que responder quando a criança sofre? Assim é a morte em família.
Nestes casos, a morte é como um buraco negro que se abre na vida da família e ao qual não sabemos dar explicação alguma. E às vezes se chega até mesmo a colocar a culpa em Deus. Quanta gente – eu as entendo – fica com raiva de Deus, blasfema: “Por que me tirou o filho, a filha? Mas, Deus não existe, não existe! Por que fez isso?”. Tantas vezes ouvimos isso. Mas esta raiva é um pouco aquilo que vem do coração, da grande dor; a perda de um filho ou de uma filha, do pai ou da mãe, é uma grande dor. Isso acontece continuamente nas famílias. Nestes casos, disse, a morte é quase como um buraco. Mas a morte física tem seus “cúmplices” que são também muitas vezes piores que ela e que se chamam ódio, inveja, orgulho, avareza; em resumo, o pecado do mundo que trabalha pela morte e a torna ainda mais dolorosa e injusta. Os afetos familiares aparecem como as vítimas predestinadas e indefesas destes auxiliares poderosos da morte, que acompanham a história do homem. Pensemos na absurda “normalidade” com a qual, em certos momentos e lugares, os eventos que acrescentam horror à morte são provocados pelo ódio e pela indiferença de outros seres humanos. O Senhor nos liberte de nos acostumarmos a isso!
No povo de Deus, com a graça da sua compaixão dada em Jesus, tantas famílias demonstram com os fatos que a morte não tem a última palavra: isto é um verdadeiro ato de fé. Todas as vezes que a família no luto – mesmo terrível – encontra a força de proteger a fé e o amor que nos unem àqueles que amamos, essa impede já agora a morte de pegar tudo. A escuridão da morte deve ser enfrentada com um mais intenso trabalho de amor. “Deus meu, clareia as minhas trevas!”, é a invocação da liturgia da noite. Na luz da Ressurreição do Senhor, que não abandona ninguém daqueles que o Pai lhe confiou, nós podemos tirar da morte o seu “ferrão”, como dizia o apóstolo Paulo (1 Cor 15, 55); podemos impedi-la de envenenar a vida, de estragar os nossos afetos, de fazer-nos cair no vazio mais escuro.
Nesta fé, podemos nos consolar uns aos outros, sabendo que o Senhor venceu a morte de uma vez por todas. Os nossos entes queridos não desapareceram na escuridão do nada: a esperança nos assegura que eles estão nas mãos boas e fortes de Deus. O amor é mais forte que a morte. Por isso, o caminho é fazer crescer o amor, tornando-o mais sólido e amor nos protegerá até o dia em que toda lágrima será enxugada, quando “não haverá mais a morte, nem lamentação, nem dor” (Ap 21, 4). Se nos deixamos apoiar por esta fé, a experiência do luto pode gerar uma solidariedade mais forte dos laços familiares, uma nova abertura à dor das outras famílias, uma nova fraternidade com as famílias que nascem e renascem na esperança. Nascer e renascer na esperança, isso nos dá a fé. Mas eu gostaria de destacar uma última frase do Evangelho que hoje ouvimos (cfr Lc 7, 11-15). Depois que Jesus torna a trazer a vida a este jovem, filho da mãe que era viúva, diz o Evangelho: “Jesus o restitui à sua mãe”. E essa é a nossa esperança! Todos os nossos entes queridos que se foram, o Senhor os restituirá a nós e nós nos encontraremos junto a eles. Esta esperança não desilude! Recordemos bem esse gesto de Jesus: “E Jesus o restitui à sua mãe”, assim fará o Senhor com todos os nossos queridos na família!
Esta fé nos protege da visão niilista da morte, bem como das falsas consolações do mundo, de forma que a vida cristã “não arrisca se misturar com mitologias de vários tipos”, cedendo aos ritos da superstição, antiga ou moderna” (Bento XVI, Angelus de 2 de novembro de 2008). Hoje é necessário que os pastores e todos os cristãos exprimam de modo mais concreto o sentido da fé nos confrontos da experiência familiar do luto. Não se deve negar o direito ao pranto – devemos chorar no luto – também Jesus “caiu em pranto” e foi “profundamente perturbado” pelo grave luto de uma família que amava (J0 11, 33-37). Podemos, em vez disso, tirar testemunho bastante simples e forte de tantas famílias que souberam colher, na duríssima passagem da morte, também a segura passagem do Senhor, crucificado e ressuscitado, com a sua irrevogável promessa de ressurreição dos mortos. O trabalho do amor de Deus é mais forte que o trabalho da morte. É daquele amor, é próprio daquele amor que devemos fazer-nos “cúmplices” operários, com a nossa fé! E recordemos aquele gesto de Jesus: “E Jesus o restituiu à sua mãe”, assim fará com todos os nossos entes queridos e conosco quando nos encontraremos, quando a morte será definitivamente derrotada em nós. Essa é a derrota da cruz de Jesus. Jesus nos restituirá em família a todos!
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

11 de junho de 2015

Bispos do Sul 1 emitem mensagem aos católicos e a todos os cidadãos

Os bispos do regional Sul 1 da CNBB, reunidos por ocasião da 78ª Assembleia Anual, em Aparecida (SP), dias 10 e 11 de junho, emitiram mensagem aos católicos e a todos os cidadãos, diante dos acontecimentos da recente “parada gay”, no domingo, 7, em São Paulo. No texto, os bispos consideram que houve “desrespeito à consciência religiosa” do povo e “ao símbolo da maior fé cristã, Jesus crucificado”. O episcopado, afirmou, ainda, que “todo ato de desrespeito a símbolos, orações e liturgias das religiões constituiu crime previsto pelo Código Penal”. Confira a íntegra da mensagem:


 MENSAGEM AOS CATÓLICOS E A TODOS OS CIDADÃOS
Nós, Bispos Católicos das Dioceses do Estado de São Paulo, reunidos na 78ª Assembleia do Regional Sul I da CNBB, diante dos acontecimentos da recente “parada gay 2015”, ocorrida na cidade de São Paulo, com claras manifestações de desrespeito à consciência religiosa de nosso povo e ao símbolo maior da fé cristã, Jesus crucificado, em nome da verdade que cremos, vimos através desta, como pastores do Povo de Deus:
  1. Afirmar que a fé cristã e católica, e outras expressões de fé encontram defesa e guarida na Constituição Federal: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” (artigo 5º, inciso VI).
  2. Lembrar que todo ato de desrespeito a símbolos, orações, pessoas e liturgias das religiões constitui crime previsto no Código Penal: “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso” (Art. 208 do Código Penal).
  3. Apelar aos responsáveis pelo Poder Público, guardiães da Constituição e responsáveis pela ordem social e pelo estado democrático de direito, que defendam o direito agredido.
  4. Expressar nosso repúdio diante dos lamentáveis atos de desrespeito ocorridos; queremos contribuir com o bem-estar da sociedade, pois somos, por força do Evangelho, construtores e promotores da liberdade e da paz.
  5. Manifestar nossa estranheza ao constatar um evento, como citado seja autorizado e patrocinado pelo poder público, e utilizado para promover atos que afrontam claramente o estado de direito que a Constituição garante.
  6. Lembrar a todos as atitudes firmes do Papa Francisco quanto ao respeito pelo ser humano, aos mais pobres, aos mais simples, à religiosidade popular.
  7. Recordar aos católicos que a profanação de símbolos religiosos pede de nós um ato de desagravo e de satisfação religiosa, pela oração e pela penitência, pedindo ao Senhor Deus perdão pelos pecados cometidos e a conversão dos corações.
  8. Reafirmar, iluminados pelo Evangelho e conduzidos pelo Espírito Santo, nosso respeito a todas as pessoas, também a quem pensa diferente de nós. E convidamos os católicos e pessoas de boa vontade a contribuírem, em tudo, para a edificação da justiça e da paz, do respeito a Deus e ao próximo.
Por fim, confirmamos nosso seguimento a Jesus Cristo e damos testemunho da beleza de nossa fé católica, na certeza de que, assim, contribuímos para o bem da sociedade, anunciando o que de melhor recebemos: Jesus Cristo crucificado, “força e sabedoria de Deus” (1Cor 1,23s), fonte de toda misericórdia.
Aparecida, 11 de junho de 2015.
Memória Litúrgica do Apóstolo São Barnabé
Dom Odilo Pedro Scherer
Presidente do Regional Sul 1 – CNBB

Dom Moacir Silva
Vice-Presidente do Regional Sul 1 – CNBB

Dom Tarcísio Scaramussa
Secretário do Regional Sul 1 – CNBB

Catequese do Papa sobre a situação de doença na família - 10/06-2015

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 10 de junho de 2014
Continuamos com as catequeses sobre família, e nesta catequese gostaria de tocar em um aspecto muito comum na vida das nossas famílias, aquele da doença. É uma experiência da nossa fragilidade que vivemos principalmente na família, desde criança, e depois sobretudo como idosos, quando chegam os problemas físicos. No âmbito das relações familiares, a doença das pessoas a quem queremos bem é vivida com um sofrimento ainda maior e também com angústia. É o amor que nos faz sentir esse “mais”. Tantas vezes, para um pai e uma mãe, é mais difícil suportar o mal de um filho, de uma filha, do que o próprio. A família, podemos dizer, sempre foi o “hospital” mais próximo. Ainda hoje, em tantas partes do mundo, o hospital é um privilégio para poucos e muitas vezes é distante. São a mãe, o pai, os irmãos, as irmãs, os avós que garantem os cuidados e ajudam a curar.
Nos Evangelhos, muitas páginas contam os encontros de Jesus com os doentes e o seu empenho em curá-los. Ele se apresenta publicamente como quem luta contra a doença e que veio para curar o homem de todo mal: o mal do espírito e o mal do corpo. É realmente comovente a cena evangélica há pouco retratada pelo evangelho de Marcos. Diz assim: “À tarde, depois do pôr do sol, levaram-lhe todos os enfermos e possessos do demônio” (1, 29). Se penso nas grandes cidades contemporâneas, pergunto-me onde estão as portas diante das quais levar os doentes esperando que sejam curados! Jesus nunca deixou de curá-los. Nunca foi além, nunca virou o rosto para o outro lado. E quando um pai ou uma mãe, ou até mesmo simplesmente pessoas amigas lhe levavam um doente para que o tocasse e o curasse, não dava um tempo; a cura vinha antes da lei, também era tão sagrada como era o repouso do sábado (cfr Mc 3, 1-6). Os doutores da lei repreendiam Jesus porque curava aos sábados, fazia o bem aos sábados. Mas o amor de Jesus era dar a saúde, fazer o bem: e isso vai sempre em primeiro lugar!
Jesus envia os discípulos a cumprir a sua mesma obra e dá a eles o poder de curar, ou seja, de se aproximar dos doentes e de cuidar deles até o fim (cfr Mt 10, 1). Devemos ter bem em mente o que disse aos discípulos no episódio do cego de nascença (Jo 9, 1-5). Os discípulos – com o cego ali diante – discutiam sobre quem tivesse pecado, porque era cego de nascença, ele ou os seus pais, para provocar a sua cegueira. O Senhor disse claramente: nem ele nem seus pais; é assim para que se manifestem nele as obras de Deus. E o curou. Eis a glória de Deus! Eis a tarefa da Igreja! Ajudar os doentes, não se perder em fofocas, ajudar sempre, consolar, levantar, estar próximo aos doentes; essa é a tarefa.
A Igreja convida à oração contínua pelos próprios queridos atingidos pelo mal. A oração pelos doentes nunca deve faltar. Antes, devemos rezar mais, seja pessoalmente seja em comunidade. Pensemos no episódio evangélico da mulher de Cananeia (cfr Mt 15, 21-28). É uma mulher pagã, não era do povo de Israel, mas uma pagã que suplica a Jesus para curar a filha. Jesus, para colocar à prova a sua fé, primeiro responde duramente: “Não posso, preciso pensar antes nas ovelhas de Israel”. A mulher não para – uma mãe, quando pede ajuda para o seu filho, não cede nunca; todos sabemos que as mães lutam pelos filhos – e responde: “Também aos cães, quando os patrões estão com fome, se dá algo!”, como quem diz: “Ao menos me trate como um cãozinho”. Então Jesus diz: “Mulher, grande é a sua fé! Seja feito para você como desejas” (v. 28).
Diante da doença, também em família surgem dificuldades, por causa da fraqueza humana. Mas, em geral, o tempo da doença faz crescer a força dos laços familiares. E penso em como é importante educar os filhos desde pequenos à solidariedade no tempo da doença. Uma educação que poupa da sensibilidade pela doença humana endurece o coração. E faz com que as crianças sejam “anestesiadas” em relação ao sofrimento do outro, incapazes de confrontar-se com o sofrimento e de viver a experiência do limite. Quantas vezes nós vemos chegar no trabalho um homem, uma mulher, com uma cara de cansado, com uma atitude cansada e quando lhe perguntam “O que aconteceu?”, responde: “Dormi somente duas horas porque em casa fazemos revezamos para estarmos próximos do filho, da filha, do doente, do avó, da avô”. E o dia continua com o trabalho. Estas coisas não heroicas, são o heroísmo das famílias! Aquele heroísmo escondido que se faz com ternura e com coragem quando em casa há alguém doente.
A fragilidade e o sofrimento dos nossos afetos mais queridos e mais sagrados podem ser, para os nossos filhos e os nossos netos uma escola de vida – é importante educar os filhos, os netos para entender esta proximidade na doença na família – e se tornam assim quando os momentos da doença são acompanhados pela oração e pela proximidade afetuosa dos familiares. A comunidade cristã sabe bem que a família, na provação da doença, não deve ser deixada sozinha. E devemos dizer obrigado ao Senhor por aquelas belas experiências de fraternidade eclesial que ajudam as famílias a atravessar o difícil momento de dor e de sofrimento. Esta proximidade cristã, de família a família, é um verdadeiro tesouro para a paróquia; um tesouro de sabedoria, que ajuda as famílias nos momentos difíceis e faz entender o Reino de Deus melhor que muitos discursos! São carícias de Deus.
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

4 de junho de 2015

Catequese do Papa: misérias sociais que afetam as famílias

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 3 de junho de 2014
Nestas quartas-feiras temos refletido sobre família e sigamos adiante neste tema, refletir sobre família. E a partir de hoje, as nossas catequeses se abrem, com a reflexão à consideração da vulnerabilidade que tem a família, nas condições da vida que a colocam à prova. A família tem tantos problemas que a colocam à prova.
Uma dessas provas é a pobreza. Pensemos em tantas famílias que povoam as periferias das megalópoles, mas também nas zonas rurais. Quanta miséria, quanta degradação! E depois, para piorar a situação, em alguns lugares chega também a guerra. A guerra é sempre uma coisa terrível. Essa também afeta especialmente as populações civis, as famílias. Realmente a guerra é a “mãe de todas as pobrezas”, a guerra empobrece a família, uma grande predadora de vidas, de almas e dos afetos mais sagrados e mais queridos.
Apesar disso tudo, há tantas famílias pobres que com dignidade procuram conduzir a sua vida cotidiana, muitas vezes confiando abertamente na benção de Deus. Esta lição, porém, não deve justificar a nossa indiferença, mas sim aumentar a nossa vergonha pelo fato de existir tanta pobreza! É quase um milagre que, mesmo na pobreza, a família continua a se formar e até mesmo a conservar – como pode – a especial humanidade das suas relações. O fato irrita aqueles planejadores de bem-estar que consideram os afetos, as relações familiares como uma variável secundária da qualidade de vida. Não entendem nada! Em vez disso, nós deveríamos nos ajoelhar diante dessas famílias que são uma verdadeira escola de humanidade que salva a sociedade das barbáries.
O que nos resta, de fato, se cedemos à chantagem de César e do Dinheiro, da violência e do dinheiro, e renunciamos também aos afetos familiares? Uma nova ética civil chegará somente quando os responsáveis da vida pública reorganizarem os laços sociais a partir da luta contra a espiral perversa entre família e pobreza, que nos leva ao abismo.
A economia de hoje muitas vezes é especializada no gozo do bem-estar individual, mas pratica largamente a exploração dos laços familiares. Esta é uma contradição grave! O imenso trabalho da família não é cotado nos balanços financeiros, naturalmente! De fato, a economia e a política são mesquinhas de reconhecimento a tal respeito. No entanto, a formação interior da pessoa e a circulação social dos afetos têm justamente ali o seu pilar. Se os tiram, tudo vem a baixo.
Não é somente questão de dinheiro. Falamos de trabalho, falamos de educação, falamos de saúde. É importante entender bem isso. Ficamos sempre muito comovidos quando vemos imagens das crianças desnutridas e doentes, que são mostradas para nós em tantas partes do mundo. Ao mesmo tempo, também nos comove muito o olhar brilhante de muitas crianças, privadas de tudo, que estão em escolas feitas de nada, quando mostram com orgulho sua caneta e o seu caderno. E como olham com amor o seu professor ou a sua professora! Realmente, as crianças sabem que o homem não vive só de pão! Mesmo o afeto familiar; quando há a miséria as crianças sofrem, porque elas querem o amor, as relações familiares.
Nós cristãos devemos estar sempre mais próximos às famílias que a pobreza coloca à prova. Mas pensem, todos vocês conhecem alguém: um pai sem trabalho, uma mãe sem trabalho…e a família sofre, as relações se enfraquecem. Isso é ruim. De fato, a miséria social atinge a família e às vezes a destroi. A falta ou a perda de trabalho, ou a sua forte precariedade, incidem pesadamente sobre a vida familiar, colocando à dura prova as relações. As condições de vida nos bairros mais desfavorecidos, com os problemas de habitação e de transportes, bem como a redução dos serviços sociais, de saúde, de escola, causam dificuldades. A estes fatores materiais se soma o dano causado à família pelos pseudo-modelos, difundidos pelos meios de comunicação baseados no consumismo e o culto da aparência, que influenciam as classes sociais mais pobres e incrementam a desagregação das relações familiares. Cuidar das famílias, cuidar do afeto, quando a miséria coloca a família à prova!
A Igreja é mãe e não deve esquecer este drama dos seus filhos. Também essa deve ser pobre, para se tornar fecunda e responder a tanta miséria. Uma Igreja pobre é uma Igreja que pratica uma simplicidade voluntária na própria vida – nas suas próprias instituições, no estilo de vida dos seus membros – para abater todo muro de separação, sobretudo dos pobres. É preciso oração e ação. Rezemos intensamente ao Senhor, que nos sacode, para tornar as nossas famílias cristãs protagonistas desta revolução da proximidade familiar, que agora é tão necessária! Dessa, dessa proximidade familiar, desde o início, é feita a Igreja. E não esqueçamos que o julgamento dos necessitados, dos pequenos e dos pobres antecipa o julgamento de Deus (Mt 25, 31-46). Não esqueçamos isso e façamos tudo aquilo que podemos para ajudar as famílias a seguir adiante na provação da pobreza e da miséria que atingem os afetos, as relações familiares. Eu gostaria de ler outra vez o texto da Bíblia que escutamos no início e cada um de nós pense nas famílias que são provadas pela miséria e pela pobreza, a Bíblia diz assim: “Meu filho, não negues esmola ao pobre, nem dele desvieis os olhos. Não desprezes o que tem fome, não irrites o pobre em sua indigência. Não aflijas o coração do infeliz, não recuses tua esmola àquele que está na miséria; não rejeiteis o pedido do aflito, não desvieis o rosto do pobre. Não desvieis os olhos do indigente, para que ele não se zangue” (Eclo 4,1-5a). Porque isso será aquilo que fará o Senhor – o diz no Evangelho – se não fazemos essas coisas.
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

2 de junho de 2015

“O Sacerdócio é o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo”

Dizia o Santo Cura D'Ars: "Se eu me encontrasse com um sacerdote e com um anjo, saudaria primeiro o sacerdote, e depois o anjo; senão tivéssemos o sacerdote, de nada nos valeria a paixão e a morte de Jesus. O sacerdote é quem tem a chave dos tesouros celestes".

Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que um sacerdote faz; quando se pensa que os arcanjos, Miguel, Rafael e Gabriel, não podem fazer o que um sacerdote faz; quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na última Ceia, transformou o pão e o vinho em Seu Corpo e Seu Sangue, para alimentar o pecador, e que este prodígio, diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, o sacerdote pode repeti-lo todos os dias; quando se pensa no outro milagre que somente um sacerdote pode realizar, perdoar os pecados, e que o que ele liga no fundo do seu humilde confessionário, Deus, obrigado por Sua própria Palavra, o liga no Céu, e o que ele desliga, no mesmo instante o deliga Deus; quando se pensa que o mundo morreria da pior fome se chegasse a lhe faltar esse pouquinho de "Pão" e esse pouquinho de "Vinho"; quando se pensa que isso pode acontecer, porque estão faltando as vocações sacerdotais; quando se pensa que um sacerdote é mais necessário que um presidente, mais que um militar, mais que um banqueiro, mais do que um médico, mais que um professor, porque ele pode substituir a todos e ninguém pode substitui-lo; quando se pensa que um sacerdote, quando celebra no altar tem uma dignidade maior que um Rei, e que não é um representante de Cristo, mas é Cristo mesmo que está ali, repetindo o maior milagre de Deus... quando se pensa tudo isso... compreende-se a imensa necessidade de fomentar as vocações sacerdotais; compreende-se o afã com que, nos tempos antigos, cada família ansiava que do seu seio brotasse, como um ramo de perfume, uma vocação sacerdotal; compreende-se o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes, o que se refletia em suas leis; compreende-se que, se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho, é como se renunciassem a um título de honra incomparável; compreende-se que mais do que uma igreja, mais que uma escola e mais do que um hospital, é um seminário ou um noviciado; compreende-se que ajudar a construir ou manter um seminário ou um noviciado é multiplicar os nascimentos do Redentor; compreende-se que ajudar a custear os estudos de um jovem seminarista ou de um noviço, é aplainar o caminho por onde chegará ao altar um homem que, durante uma hora, todos os dias, será muito mais que todas as celebridades da Terra e que todos os santos do Céu, pois será Cristo mesmo, sacrificando o Seu Corpo e o Seu Sangue, para alimentar o mundo.