31 de outubro de 2014

Catequese do Papa Francisco: a realidade visível da Igreja

Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Nas catequeses precedentes, tivemos a oportunidade de evidenciar como a Igreja tem uma natureza espiritual: é o corpo de Cristo, edificado no Espírito Santo. Quando nos referimos à Igreja, porém, imediatamente o pensamento vai para as nossas comunidades, às nossas paróquias, às nossas dioceses, às estruturas nas quais nos reunimos e, obviamente, também à componente e às figuras mais institucionais que a regem, que a governam. Esta é a realidade visível da Igreja. Devemos nos perguntar, então: trata-se de duas coisas diversas ou da única Igreja? E, se é sempre a única Igreja, como podemos entender a relação entre a sua realidade visível e aquela espiritual?
1. Antes de tudo, quando falamos da realidade visível da Igreja, não devemos pensar somente no Papa, nos bispos, nos padres, nas irmãs e em todas as pessoas consagradas. A realidade visível da Igreja é constituída por tantos irmãos e irmãs batizados que no mundo acreditam, esperam e amam. Mas tantas vezes ouvimos dizer: “Mas, a Igreja não faz isto, a Igreja não faz aquilo…”. “Mas, diga-me, quem é a Igreja?”. “São os padres, os bispos, o Papa…”. A Igreja somos todos, nós! Todos os batizados somos a Igreja, a Igreja de Jesus. De todos aqueles que seguem o Senhor Jesus e que, no seu nome, fazem-se próximos aos últimos e aos sofredores, procurando oferecer um pouco de alívio, de conforto e de paz. Todos aqueles que fazem aquilo que o Senhor nos ordenou são a Igreja. Compreendemos, então, que também a realidade visível da Igreja não é mensurável, não é conhecível em toda a sua plenitude: como se faz para conhecer todo o bem que é feito? Tantas obras de amor, tanta fidelidade nas famílias, tanto trabalho para educar os filhos, para transmitir a fé, tanto sofrimento nos doentes que oferecem os seus sofrimentos ao Senhor… Mas isto não se pode mensurar e é tão grande! Como se faz para conhecer todas as maravilhas que, através de nós, Cristo é capaz de operar no coração e na vida de cada pessoa? Vejam: também a realidade visível da Igreja vai além do nosso controle, vai além das nossas forças e é uma realidade misteriosa, porque vem de Deus.
2. Para compreender a relação na Igreja, a relação entre a sua realidade visível e aquela espiritual, não há outro caminho que não olhar para Cristo, do qual a Igreja constitui o corpo e do qual foi gerada, em um ato de infinito amor. Também em Cristo, de fato, em força do mistério da Encarnação, reconhecemos uma natureza humana e uma natureza divina, unidas na mesma pessoa de modo admirável e indissolúvel. Isso vale de modo análogo também para a Igreja. E como em Cristo a natureza humana ajuda plenamente aquela divina e se coloca ao seu serviço, em função do cumprimento da salvação, assim acontece, na Igreja, pela sua realidade visível, nos confrontos da realidade espiritual. Também a Igreja, então, é um mistério, no qual aquilo que não se vê é mais importante que aquilo que se vê e pode ser reconhecido somente com os olhos da fé (cfr Cost. dogm. sulla Chiesa Lumen gentium, 8).
3. No caso da Igreja, porém, devemos nos perguntar: como a realidade visível pode colocar-se a serviço daquela espiritual? Mais uma vez, podemos compreender isso olhando para Cristo. Cristo é o modelo da Igreja, porque a Igreja é o seu corpo. É o modelo de todos os cristãos, de todo nós. Quando se olha Cristo não se erra. No Evangelho de Lucas, conta-se como Jesus, tendo voltado a Nazaré, onde havia crescido, entrou na sinagoga e leu, referindo-se a si mesmo, o trecho do profeta Isaías onde está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim; por isto me consagrou com a unção e me mandou para enviar aos pobres o bom anúncio, para proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a vista; para por em liberdade os oprimidos, para proclamar o ano de graça do Senhor” (4, 18-19). Bem: como Cristo serviu-se da sua humanidade – porque era também homem – para anunciar e realizar o desígnio divino de redenção e de salvação – porque era Deus – assim deve ser também para a Igreja. Através da sua realidade visível, de tudo aquilo que se vê, os sacramentos e o testemunho de todos nós cristãos, a Igreja é chamada a cada dia a fazer-se próxima a cada homem, a começar por quem é pobre, por quem sofre e por quem está marginalizado, de modo a continuar a fazer sentir sobre todos o olhar compassivo e misericordioso de Jesus.
Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes, como Igreja, fazemos experiência da nossa fragilidade e dos nossos limites. Todos os temos. Todos somos pecadores. Ninguém de nós pode dizer: “Eu não sou pecador”. Mas se algum de nós sente que não é pecador, levante a mão. Todos o somos. E esta fragilidade, estes limites, estes nossos pecados, é justo que procurem em nós um profundo desprazer, sobretudo quando damos mal exemplo e nos damos conta de nos tornar motivo de escândalo. Quantas vezes ouvimos, nos bairros: “Mas, aquela pessoa lá vai sempre à Igreja, mas fala mal de todos…”. Isto não é cristão, é um mal exemplo: é um pecado. O nosso testemunho é aquele de fazer entender o que significa ser cristão. Peçamos para não sermos motivo de escândalo. Peçamos o dom da fé, para que possamos compreender como, não obstante a nossa pequenez e a nossa pobreza, o Senhor nos tornou realmente instrumento de graça e sinal visível do seu amor por toda a humanidade. Podemos nos tornar motivo de escândalo, sim. Mas podemos também nos tornar motivo de testemunho, dizendo com a nossa vida aquilo que Jesus quer de nós.

24 de outubro de 2014

Catequese com o Papa Francisco - 22/10/14

Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Quando se quer evidenciar como os elementos que compõem uma realidade estão estreitamente unidos uns aos outros e formam juntos uma só coisa, usa-se muitas vezes a imagem do corpo. A partir do apóstolo Paulo, esta expressão foi aplicada à Igreja e foi reconhecida como o seu traço distintivo mais profundo e mais belo. Hoje, então, queremos nos perguntar: em que sentido a Igreja forma um corpo? E por que é definida como “corpo de Cristo”?
No Livro de Ezequiel, é descrita uma visão um pouco particular, impressionante, mas capaz de infundir confiança e esperança nos nossos corações. Deus mostra ao profeta um vale de ossos, separados uns dos outros e ressecados. Um cenário desolador.. Imaginem toda uma planície cheia de ossos. Deus lhe pede, então, para invocar sobre eles o Espírito. Naquele momento, os ossos se movem, começam a se aproximar e a se unir, sobre eles crescem primeiro os nervos e depois a carne e se forma assim um corpo, completo e cheio de vida (cfr Ez 37, 1-14). Esta é a Igreja! Recomendo hoje que peguem a Bíblia em casa, no capítulo 37 do profeta Ezequiel, não se esqueçam, e leiam isto, é belíssimo. Esta é a Igreja, é uma obra-prima, a obra-prima do Espírito, que infunde em cada um a vida nova do Ressuscitado e nos coloca uns próximos aos outros, um a serviço do outro e como apoio do outro, fazendo assim de todos nós um só corpo, edificado na comunhão e no amor.
A Igreja, porém, não é somente um corpo edificado no Espírito: a Igreja é o corpo de Cristo! E não se trata simplesmente de um modo de dizer: mas o somos realmente! É o grande dom que recebemos do dia do nosso Batismo! No sacramento do Batismo, de fato, Cristo nos faz seus, acolhendo-nos no coração do mistério da cruz, o mistério supremo do seu amor por nós, para nos fazer depois ressurgir com ele, como novas criaturas. Assim nasce a Igreja, e assim a Igreja se reconhece corpo de Cristo! O Batismo constitui um verdadeiro renascimento em Cristo, torna-nos parte dele, e nos une intimamente entre nós, como membros do mesmo corpo, do qual ele é a cabeça (cfr Rm 12, 5; 1 Cor 12, 12-13).
Aquela que surge, então, é uma profunda comunhão de amor. Neste sentido, é iluminante como Paulo, exortando os maridos a “amar as esposas como o próprio corpo” afirma: “Como também Cristo faz com a Igreja, porque somos membros do seu corpo” (Ef 5, 28-30). Que belo se nos recordássemos mais muitas vezes daquilo que somos, do que fez de nós o Senhor Jesus: somos o seu corpo, aquele corpo que nada e ninguém pode arrancar dele e que ele recobre de toda a sua paixão e de todo o seu amor, próprio como um esposo com a sua esposa. Este pensamento, porém, deve fazer surgir em nós o desejo de corresponder ao Senhor Jesus e de partilhar o seu amor entre nós, como membros vivos do seu próprio corpo. No tempo de Paulo, a comunidade de Corinto encontrava muitas dificuldades em tal sentido, vivendo, como muitas vezes também nós, a experiência das divisões, da inveja, das incompreensões e da marginalização. Todas essas coisas não  vão bem, porque, em vez de edificar e fazer crescer a Igreja como corpo de Cristo, fraturam-na em tantas partes, desmembram-na. E isto acontece também nos nossos dias. Pensemos nas comunidades cristãs, em algumas paróquias, pensemos nos nossos bairros quantas divisões, quanta inveja, como se fala pelas costas, quanta incompreensão e marginalização. E o que isso implica? Desmembra-nos entre nós. É o início da guerra. A guerra não começa no campo de batalha: a guerra, as guerras começam no coração, com incompreensões, divisões, inveja, com esta luta com os outros. A comunidade de Corinto era assim, eram campeã nisso! O apóstolo Paulo disse aos Coríntios alguns conselhos concretos que valem também para nós: não ser ciumento, mas apreciar nas nossas comunidades os dons e as qualidades dos nossos irmãos. O ciúmes: “Aquele comprou um carro”, e eu sinto aqui um ciúme; “Este ganhou na loteria”, e outro ciúme; “Este outro está indo bem bem nisso”, e um outro ciúme. Tudo isso desmembra, faz mal, não se deve fazer! Porque assim o ciúme cresce e enche o coração. E um coração ciumento é um coração ácido, um coração que em vez de sangue parece ter vinagre; é um coração que nunca está feliz, é um coração que desmembra a comunidade. Mas o que devo fazer então? Apreciar nas nossas comunidades os dons e as qualidades dos outros, dos nossos irmãos. E quando me vem o ciúme – porque vem a todos, todos somos pecadores – devo dizer ao Senhor: “Obrigado, Senhor, porque destes isto àquela pessoa”. Apreciar as qualidades, fazer-se próximo e participar do sofrimento uns dos outros e dos mais necessitados; exprimir a própria gratidão a todos. O coração que sabe dizer obrigada é um coração bom, é um coração nobre, é um coração que é feliz. Pergunto-vos: todos nós sabemos dizer obrigado sempre? Nem sempre, porque a inveja, o ciúme nos para um pouco. E, por último, o conselho que o apóstolo Paulo dá aos Coríntios e também nós devemos dar uns aos outros: não considerar ninguém superior aos outros. Quanta gente se sente superior aos outros! Também nós, tantas vezes dizemos como aquele fariseu da parábola: “Agradeço-te, Senhor, porque não sou como aquele, sou superior”. Mas isto é ruim, não é preciso nunca fazê-lo! E quando estás para fazê-lo, lembre-se dos teus pecados, daqueles que ninguém conhece, envergonhe-se diante de Deus e diga: “Mas tu, Senhor, tu sabes quem é superior, eu fecho a boca”. E isto faz bem. E sempre na caridade considerar-se membro uns dos outros, que vivem e se doam em benefício de todos (cfr 1 Cor 12-14).
Queridos irmãos e irmãs, como o profeta Ezequiel e como o apóstolo Paulo, invoquemos também nós o Espírito Santo, para que a sua graça e abundância dos seus dons nos ajudem a viver realmente como corpo de Cristo, unidos como família, mas uma família que é o corpo de Cristo, e como sinal visível e belo do amor de Cristo.

Catequese do Papa Francisco sobre a esperança cristã

Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Durante este tempo falamos da Igreja, da nossa santa mãe Igreja hierárquica, o povo de Deus em caminho. Hoje queremos nos perguntar: no fim, o que será do povo de Deus? O que será de cada um de nós? O que devemos esperar? O apóstolo Paulo encorajava os cristãos da comunidade de Tessalônica, que se colocam estas perguntas, e depois de sua argumentação diziam estas palavras que estão entre as mais belas do Novo Testamento: “E assim para sempre estaremos com o Senhor!” (1 Ts 4, 17). São palavras simples, mas com uma densidade de esperança tão grande! É emblemático como, no livro do Apocalipse, João, retomando a intuição dos Profetas, descreve a dimensão última, definitiva, nos termos da “nova Jerusalém, que desce do céu, de Deus, pronta como uma esposa ornada para seu esposo” (Ap 21, 2). Eis o que nos espera! E então quem é a Igreja: é o povo de Deus que segue o Senhor Jesus e que se prepara dia após dia ao encontro com Ele, como uma esposa com o seu esposo. E não é só um modo de dizer: serão as verdadeiras e próprias núpcias! Sim, porque Cristo, fazendo-se homem como nós e fazendo de todos nós uma só coisa com Ele, com a sua morte e a sua ressurreição, esposou-se conosco e fez de nós como povo a sua esposa. E isto não é outra coisa que não o cumprimento do desígnio de comunhão e de amor tecido por Deus no curso de toda a história, a história do povo de Deus e também a história própria de cada um de nós. É o Senhor que leva isso adiante.
Há um outro elemento, porém, que nos conforta mais e que nos abre o coração: João nos diz que na Igreja, esposa de Cristo, torna-se visível a “nova Jerusalém”. Isto significa que a Igreja, além de esposa, é chamada a se tornar cidade, símbolo por excelência da convivência e do relacionamento humano. Que belo, então, poder já contemplar, segundo outra imagem sugestiva do Apocalipse, todos as pessoas e todos os povos reunidos juntos nesta cidade, como em uma tenda, “a tenda de Deus” (cfr Ap 21, 3)”! E nesta situação gloriosa não haverá mais isolamentos, prevaricações e distinções de gênero algum– de natureza social, étnica ou religiosa – mas seremos todos uma só coisa em Cristo.
Diante desse cenário inaudito e maravilhoso, o nosso coração não pode não se sentir confirmado de modo forte na esperança. Vejam, a esperança cristã não é simplesmente um desejo, não é otimismo: para um cristão, a esperança é espera, espera fervorosa, apaixonada pelo cumprimento último e definitivo de um mistério, o mistério do amor de Deus, no qual renascemos e já vivemos. E é espera por alguém que está para chegar: é o Cristo Senhor que se faz sempre mais próximo a nós, dia após dia, e quem vem para nos introduzir finalmente na plenitude da sua comunhão e da sua paz. A Igreja tem, então, a tarefa de manter acesa e bem visível a lâmpada da esperança, para que possa continuar a resplender como sinal seguro de salvação e possa iluminar toda humanidade no caminho que leva ao encontro com a face misericordiosa de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, eis então o que esperamos: que Jesus volte! A Igreja esposa espera o seu esposo! Devemos nos perguntar, porém, com muita sinceridade: somos realmente testemunhas luminosas e credíveis desta espera, desta esperança? As nossas comunidades vivem ainda no sinal da presença do Senhor Jesus e na espera calorosa da sua vinda, ou parecem cansadas, entorpecidas, sob o peso do cansaço e da resignação? Corremos também nós o risco de exaurir o óleo da fé e o óleo da alegria? Estejamos atentos!
Invoquemos a Virgem Maria, mãe da esperança e rainha do céu, para que nos mantenha sempre em uma atitude de escuta e de espera, de forma a poder estar já agora permeados pelo amor de Cristo e participar um dia da alegria sem fim, na plena comunhão de Deus e não se esqueçam, nunca esquecer: “E assim para sempre estaremos com o Senhor!” (1 Ts 4, 17).

14 de outubro de 2014

MÃE DE TANTOS NOMES


 Mãe de tanto nomes
Mas figura sem igual
Carregado nos braços o Filho
Para os filhos presentear.

O povo te louva feliz
Porque em ti encontra paz
Porque intercedes junto do Pai
Junto do Filho és nossa advogada.

O Brasil é a ti consagrado
Por isso órfãos não somos
Por ti somos amados
Mãe querida, Mãe de todos.

No Pará recebes o nome de Nazaré
Um mar de gente a te louvar
Unindo milhões numa só fé
Queremos tuas virtudes imitar.

Aparecida, Fátima, Salette, Medianeira
Sabemos que és Mãe sem par
Que nunca nos abandonas
Em ti podemos confiar.

Que sejam muito abençoados
Os que em Ti confiam
Livrai-nos de todo pecado;
Felizes os que te amam!

Querida Mãe que não cansa
De pedir aos filhos teus
Que obedeçam ao teu amado Filho
Fazendo assim a vontade de Deus.

Quanta paz, quanta ternura
Encontramos em teu coração
Torna-se criaturas puras
Unidos em fervorosa oração.

Que tudo seja renovado
Onde teu nome seja invocado.
E aqueles que ainda não te amam
Sejamos também, do mal libertados.
Confiamo-nos ao teu coração
Que pela lança foi traspassado
Jorrando rios de amor
Mãe caminha ao nosso lado.

Deus seja sempre louvado
Por nos dar uma Mãe assim
Louvores também a Ti Mãe querida
Que nunca se esquece de mim.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

Marituba 14 de outubro de 2014.

9 de outubro de 2014

Manto do Círio 2014 tem inspiração no achado da Imagem Original

Um dos momentos mais esperados da Festa de Nazaré aconteceu nesta quinta-feira, dia nove de outubro. Logo após a missa das 18h, presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira, foi apresentado o manto que envolverá a Imagem Peregrina nas procissões do Círio 2014. 

O Manto deste ano foi criado pela estilista Stela Rocha, de 75 anos, e tem inspiração no achado da Imagem e na Basílica Santuário de Nazaré. O fundo do Manto é recoberto de pérolas que simbolizam o orvalho presente no manto da imagem, quando encontrada por Plácido. No centro, há raios em degrades de azul, que formam o céu onde está Maria. Contornando os raios, há um terço formando quase um relicário. No cerne, está uma coroa com 12 estrelas, recordando a imagem do Apocalipse: “Apareceu em seguida um sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e, na cabeça, uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1).

No terço do manto de 2014, as “Ave-Marias” são representadas por pequenas rosas em madrepérola, tornando presente a história do Rosário. A história de nossa salvação se encontra no Santo Rosário, pois nele meditamos os mistérios de alegria, de luz, de dor e de glória de Jesus e a participação de Maria. A repetição das Ave-Marias é uma agradável e suave cantilena a nos embalar, conduzindo-nos a contemplar e meditar os momentos mais importantes do mistério da salvação. Assim como a rosa é a rainha das flores, assim também o Rosário é a rosa e o primeiro dos atos de piedade.

Percorrendo todo o barrado do manto estão as folhas de acanto e a flor de lis, utilizadas nas ornamentações desde os tempos antigos e medievais, numa alegoria ao triunfo e à vitória de quem soube vencer os espinhos e a vitória sobre as provações da vida e da morte. Seu simbolismo envolve também os espinhos da planta, pensando no Cristo que venceu a morte. E, concluindo todo o simbolismo do Manto, temos o broche que o fecha. Este faz uma releitura do ornato conhecido como “Glória”, envolto com suas nuvens e anjos, arrematado por uma pedra da cor do Sol, cujo o brilho nos convida a conhecer a luz de Cristo.

Detalhes dos símbolos

Fundo do manto – Para representar o orvalho que existia no primitivo manto, quando a Virgem de Nazaré foi encontrada nas matas do Igarapé pelo caboclo Plácido. O fundo do manto foi totalmente recoberto com pérolas de água doce.

Centro do Manto - Ao Centro do Manto, na parte de trás, raios em degrades de azul nos mostram o Céu onde Maria se encontra. Contornando os raios, está um terço formando quase um relicário, no centro, junto ao terço, está uma coroa com 12 estrelas, recordando a imagem do Apocalipse: “Apareceu em seguida um sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e, na cabeça, uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1).

Barrado do Manto - Por toda a barra segue a flor de lis e as folhas de acanto, juntamente com as volutas. O arremate final do manto é feito em barra recortada, onde podemos perceber as sinuosidades que nos remetem às nuvens do céu de Maria, contornados por cristais e pedras em várias ordens nos tons de rosa antigo, âmbar e azul.

Flor de Lis- um tipo de lírio, tradicionalmente simboliza o Cristianismo. Este símbolo sempre se fez presente na arte cristã, simboliza a beleza, a perfeição, o amor e o crescimento espiritual, proclama a Santíssima Trindade. No centro da flor de lis, uma pedra em cristal em tom lilás.

Folhas de acanto - Ao entrar na Basílica Santuário nos deparamos com suas colunas, que dão a sustentação da edificação, no alto seus capitéis estão repletos de folhas douradas, são as folhas de acanto, utilizadas nas ornamentações desde os tempos antigos e medievais, numa alegoria ao triunfo e à vitória de quem soube vencer as provações da vida e da morte.

Broche – “O Gloria” localizado no alto do retábulo é um dos elementos mais belos da Igreja de Nazaré. Aos pés da imagem original encontrada por Plácido, onde é possível observar a cabeça alada de um anjo e muitos outros anjos circulados por belas nuvens e, em volta deles, um belo esplendor de raios. Ao centro do broche está uma pedra da cor do sol, nos convidando a conhecer a luz de Cristo.

Terço (1/3 do Rosário) – Destacando o tema deste Ano, “Ensina o teu povo a rezar”, o terço apresenta as Ave-marias confeccionadas em rosas de madrepérola e os Pai-nossos em rosas douradas finalizadas por um crucifixo dourado. A Santíssima Virgem aprovou e confirmou esse nome Rosário. As crônicas de São Francisco narram que um jovem religioso, ao rezar o Rosário em seu quarto, recebeu a Santíssima Virgem com dois anjos. À medida que ele dizia uma Ave-Maria, uma bela rosa saía de sua boca; os anjos recolhiam as rosas, uma após outra, e as colocavam sobre a cabeça da Santíssima Virgem, que manifestava sua alegria com tais adornos. Nossa Senhora só desapareceu quando a coroa foi inteiramente recitada. O Rosário é, pois, uma grande coroa, e o Terço [a terça parte do Rosário] é um pequeno chapéu de flores ou um diadema de rosas celestes que se deposita sobre a cabeça de Jesus e de Maria. Assim como a rosa é a rainha das flores, assim também o Rosário é a rosa e o primeiro dos atos de piedade.

2 de outubro de 2014

Catequese Papa Francisco: sobre os carismas na Igreja

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 1º de outubro de 2014
Desde o início, o Senhor encheu a Igreja com os dons do seu Espírito, tornando-a assim sempre viva e fecunda com os dons do Espírito Santo. Entre esses dons, distinguem-se alguns que resultam particularmente preciosos para a edificação e o caminho da comunidade cristã: trata-se dos carismas. Nesta catequese, queremos nos perguntar: o que é exatamente um carisma? Como podemos reconhecê-lo e acolhê-lo? E, sobretudo: o fato de que na Igreja haja uma diversidade e multiplicidade de carismas, é visto em sentido positivo, como uma coisa bela, ou como um problema?
Na linguagem comum, quando se fala de “carisma”, entende-se sempre um talento, uma habilidade natural. Diz-se: “Esta pessoa tem um carisma especial para ensinar. É uma talento que tem”. Assim, diante de uma pessoa particularmente brilhante e envolvente, se usa dizer: “É uma pessoa carismática”. “O que significa?”. “Não sei, mas é carismática”. E dizemos assim. Não sabemos o que dizemos, mas dizemos: “É carismática”. Na perspectiva cristã, porém, o carisma é mais que uma qualidade pessoal, que uma predisposição de que se pode ser dotado: o carisma é uma graça, um dom concedido por Deus Pai, através da ação do Espírito Santo. E é um dom que é dado a alguém não porque seja melhor que os outros ou porque o tenha merecido: é um presente que Deus lhe dá, para que com a mesma gratuidade e o mesmo amor possa transmiti-lo a serviço de toda a comunidade, para o bem de todos. Falando de modo um pouco mais humano, diz-se assim: “Deus dá esta qualidade, este carisma a esta pessoa, mas não para si, mas para que esteja a serviço de toda a comunidade”. Hoje, antes de chegar à praça, recebi tantas crianças portadoras de deficiência na Sala Paulo VI. Havia tantas com uma Associação que se dedica ao cuidado destas crianças. O que é? Esta Associação, estas pessoas, estes homens e estas mulheres, têm o carisma de cuidar das crianças portadoras de deficiência. Isto é um carisma!
Uma coisa importante que logo é destacada é o fato de que uma pessoa não pode entender sozinha se tem um carisma e qual. Tantas vezes nós ouvimos pessoas que dizem: “Eu tenho esta qualidade, eu sei cantar muito bem”. E ninguém tem a coragem de dizer: “É melhor que fique calado, porque atormenta todos quando canta!”. Ninguém pode dizer: “Eu tenho este carisma”. É dentro da comunidade que desabrocham e florescem os dons dos quais o Pai nos enche; e é no seio da comunidade que se aprende a reconhecê-los como um sinal do seu amor por todos os seus filhos. Cada um de nós, então, é bom que se pergunte: “Há algum carisma que o Senhor fez surgir em mim, na graça do seu Espírito, e que os meus irmãos, na comunidade cristã, reconheceram e encorajaram? E como me comporto em relação a este dom: vivo-o com generosidade, colocando-o a serviço de todos, ou o negligencio e termino por esquecê-lo? Talvez se torne em mim motivo de orgulho, tanto a ponto de lamentar-me sempre dos outros e a pretender que na comunidade se faça a meu modo?”. São perguntas que nós devemos nos fazer: se há um carisma em mim, se esse carisma é reconhecido pela Igreja, se estou contente com este carisma ou tenho um pouco de ciúme dos carismas dos outros, se queria, quero ter aquele carisma. O carisma é um dom: somente Deus o dá!
A experiência mais bela, porém, é descobrir de quantos carismas diversos e de quantos dons do seu Espírito o Pai enche a sua Igreja! Isto não deve ser visto como um motivo de confusão, de desconforto: são todos presentes que Deus dá à comunidade cristã, para que possa crescer harmoniosa, na fé e no seu amor, como um só corpo, o corpo de Cristo. O mesmo Espírito que dá esta diferença de carismas faz a unidade da Igreja. É sempre o mesmo Espírito. Diante desta multiplicidade de carismas, então, o nosso coração deve se abrir à alegria e devemos pensar: “Que coisa bela! Tantos dons diversos, porque somos todos filhos de Deus, e todos amados de modo único”. Ai de nós, então, se estes dons se tornam motivo de inveja, de divisão, de ciúme! Como recorda o apóstolo Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios, no capítulo 12, todos os carismas são importantes aos olhos de Deus e, ao mesmo tempo, ninguém é insubstituível. Isto quer dizer que na comunidade cristã, temos necessidade uns dos outros e cada dom recebido se realiza plenamente quando é partilhado com os irmãos, para o bem de todos. Esta é a Igreja! E quando a Igreja, na verdade dos seus carismas, exprime-se em comunhão, não pode errar: é a beleza e a força do sensus fidei, daquele sentido sobrenatural da fé, que é dado pelo Espírito Santo a fim de que, juntos, possamos todos entrar no coração do Evangelho e aprender a seguir Jesus na nossa vida.
Hoje a Igreja festeja Santa Teresinha do Menino Jesus. Esta santa, que morreu aos 24 anos e amava tanto a Igreja, queria ser missionária, mas queria ter todos os carismas e dizia: “Eu gostaria de fazer isto, isto e isto”, todos os carismas queria. Foi em oração, sentiu que o seu carisma era o amor. E disse esta bela frase: “No coração da Igreja eu serei o amor”. E todos temos este carisma: a capacidade de amar. Peçamos hoje a Santa Teresa do Menino Jesus esta capacidade de amar tanto a Igreja, de amá-la tanto e aceitar todos esses carismas com este amor de filhos da Igreja, da nossa santa mãe Igreja hierárquica.