31 de outubro de 2012

A CULTURA DA TELEVISÃO

Há muito tempo que os programas da televisão brasileira ganham muito investimento em qualidade técnica, mas deixam muito a desejar em questões éticas e morais. 

Programas educativos são uma exigência. Porém são colocados em horários de pouca audiência. Isso porque não há interesse em passar algo realmente bom e proveitoso em horário considerado nobre, onde a maioria das famílias brasileiras está sintonizada.

As telinhas de muitos canais tem se transformado em verdadeiras baixarias. Cenas inadequadas e nada educativas são exibidas como se fossem normais e as mais apropriadas. O pior de tudo isso é que de tanto ver, acabamos nos acostumando. Pensamos e agimos como se isso fosse normal e verdadeiro.

O humor perdeu a graça. A notícia perdeu créditos, pois sempre tem alguém mostrando outro ponto de vista dos fatos. Muitas vezes a manipulação e os interesses estão acima da verdade.

Sábado, dia 29/11, assisti um pedaço do programa Zorra Total da rede Globo. Lamentável as cenas de desperdício de alimentos, onde os atores jogavam entre si ingredientes diversos. Qual a idéia que se quer passar com isso? Quem tem dinheiro pode comprar, desperdiçar, estragar.

Enquanto atores da rede Globo de televisão brincam com alimentos, jogando-os entre si, muitas pessoas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo estão passando fome. Desesperada e não sabendo mais o que fazer para ter mais ibope, apelam para a baixaria e a falta de ética.

Indignado com a falta de respeito com o alimento que falta em muitas mesas de brasileiros, sai da sala. Não suportei ver aquelas cenas ridículas e de baixíssimo escalão de profissionais.

Um programa que deveria levar humor, está levando desrespeito e falta de educação. O pior de tudo é que fazem aquilo como se fosse a coisa mais engraçada e normal do mundo. Tudo isso é no mínimo ridículo.

E as novelas, “santas novelas”, distorcem a realidade. São três horas de cenas que não condizem com a realidade brasileira, mas, que de tanto seres assistidas, repetidas, acabam se tornando realidade.

É difícil sugerir que as pessoas assistam outros programas. A grande maioria deles é sem qualidade. Infelizmente desenvolvemos a cultura de que temos que assistir um programa de televisão todas as noites e nos fins de semana. Se não vemos, parece que estamos perdidos, desligados do mundo. Enquanto ficamos intactos diante da televisão, assistindo e internalizando o que ela nos passa, deixamos de lado um bom livro, um bom filme, um bom café com amigos e a família. Assim nos vão alienando cada vez mais.

O primeiro passo é o discernimento e a reciclagem do que vemos. Sem isso continuaremos vendo, comprando, fazendo, falando, pensando o que eles querem e não o que queremos e realmente precisamos. Continuaremos sendo meros instrumentos nas mãos de gente que nada mais quer do povo brasileiro, a não ser que se “lasque” e se afunde cada vez mais. Quanto menos cultura, educação, conhecimento, ciência, leitura, mais fácil manipular as pessoas.
Hermes José Novakoski 

Carta à Rede Globo: 

Minha crítica se refere ao último programa do Zorra Total (sábado, 29/11/2008 - Fetival de comida de buteco). 

Não gostei da forma como ele foi produzido e conduzido (pelo menos a parte que assisti).

As cenas onde alimentos foram jogados entre atores do programa é muito triste, especialmente por este país ter grande parte de suas habitantes passando fome. Cenas assim jamais deveriam ser exibidas. Acredito que não vai ser com cenas assim (de baixaria no meu ponte de vista) que o programa vai conseguir mais ibope.

Desta forma, o humor perde a graça e irrita as pessoas. Enquanto são lançadas campanhas de consumo consciente de todos os recursos existentes, um programa assim, não será nada educativo e nada ético.
Lamento pelo que vi. Não esperava isso da Rede Globo. 
Att 
Hermes José (04/12/2008). 
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RESPOSTA DA REDE GLOBO EM 05/12/2008 
Hermes,
Gostaríamos de registrar que respeitamos a sua opinião e critica. Suas considerações serão levadas ao conhecimento dos responsáveis pelo programa.
Cordialmente,
Central Globo de Comunicação