24 de março de 2011

ESTER: mulher do silêncio, da oração e da confiança

Geralmente quando falamos de alguma personagem bíblica com essas características acima, nos referimos a Maria, Mãe de Jesus, a mulher por excelência.

Tem me impressionado muito a vida de outra mulher na Bíblia. Gostaria de chamar a atenção para essa mulher, personagem do Antigo Testamente e que muitas vezes passa despercebida aos nossos olhos e à nossa oração. Uma mulher forte, não porque lutava com armas, guerreava, mas porque tinha em Deus uma confiando incondicional.

Convido a refletirmos sobre Ester. Uma história belíssima onde o estar com Deus era sua constante oração e vontade. Historicamente situando, Ester foi escolhida rainha contra sua vontade. Aceita, contudo, porque acreditava que Deus tinha algum propósito com a sua eleição. E teve mesmo!

No palácio, seja na relação com as suas servas ou com os grandes da corte, nunca se valeu do ser rainha para humilhar ou maltratar alguém. Manteve a mesma postura humilde de antes.

Não lhe agradava estar com aqueles que exploravam as pessoas simples, especialmente do seu povo. Por isso mantinha o silêncio e a reserva. Em suas orações, demonstra total confiança em Deus. O Senhor era o único amigo fiel com quem ela podia contar e isso nós percebemos claramente nesta oração que ela faz:

“Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó, tu és bendito. Vem em meu socorro, pois estou só e não tenho outro defensor fora de ti, Senhor, pois eu mesma me expus ao perigo. Senhor, eu ouvi, dos livros de meus antepassados, que tu libertas, Senhor, até o fim, todos os que te são caros. Agora, pois, ajuda-me, a mim que estou sozinha e não tenho mais ninguém senão a ti, Senhor meu Deus. Vem, pois, em auxílio de minha orfandade. Põe em meus lábios um discurso atraente, quando eu estiver diante do leão, e muda o seu coração para que odeie aquele que nos ataca, para que este pereça com todos os seus cúmplices. E livra-nos da mão de nossos inimigos. Transforma nosso luto em alegria e nossas dores em bem-estar” (Ester 4,17)

Ester se transforma assim modelo de confiança em Deus e uma mulher de fortaleza. Pelo seu povo, que estava sofrendo e sendo marginalizado, ela “enfrenta” o rei.

Neste tempo especial de Quaresma, somos convidados à atitude de Ester: confiança, abandono, sinceridade.

Diante de Deus não podemos mascarar quem somos, pois Ele nos conhece melhor que nós mesmos. Se a nossa oração for sincera, confiante, humilde, será atendida.

Quando, porém, não somos capazes de enxergar também as necessidades dos nossos irmãos e nos fechamos em nós mesmos, pedindo incessantemente a Deus pelas nossas necessidades nem sempre reais, nossa oração não é atendida.

Vejamos que Ester não pede por ela, mas sim pelos seus. Quando está diante do rei, arriscando a própria vida ela assim se expressa: “Concede-me a vida, eis meu pedido, e a vida do meu povo, eis meu desejo.”

E Deus atende sua prece porque encontrou nela uma serva humilde.


Diácono Hermes José Novakoski, PSDP